• 5 de novembro de 2026
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OPERAÇÃO TOMADA DE CONTAS

Servidor investigado por receber R$ 3 milhões do TCE-MT paga fiança de R$ 97 mil e deixa prisão

Jocimauro Bento do Carmo foi preso após a Polícia Federal encontrar arma irregular durante operação; ele continua afastado das funções e submetido a medidas cautelares
Foto: Reprodução

O técnico de controle público externo Jocimauro Bento do Carmo, investigado por supostamente receber mais de R$ 3 milhões em pagamentos irregulares do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), deixou a prisão após pagar fiança de R$ 97.260. A liberdade provisória foi concedida pela Justiça estadual após a prisão em flagrante registrada durante a Operação Tomada de Contas, deflagrada pela Polícia Federal em 29 de outubro.

O servidor havia sido detido após os agentes encontrarem um revólver sem registro dentro de uma caminhonete durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão em Cuiabá.

A prisão foi homologada pela juíza Henriqueta Fernanda Lima, do Núcleo do Juízo das Garantias, que autorizou a liberdade mediante o pagamento da fiança. A decisão foi tomada no próprio dia da operação.

A soltura não interfere nas investigações sobre os pagamentos suspeitos realizados pelo Tribunal de Contas.

PF IDENTIFICOU PAGAMENTOS DE MAIS DE R$ 3 MILHÕES

Conforme a investigação da Polícia Federal, Jocimauro teria recebido R$ 3.032.042,17 em 66 lançamentos financeiros realizados pelo TCE-MT entre janeiro e outubro de 2025.

Desse total, aproximadamente R$ 1,8 milhão teria sido movimentado por meio de 32 ordens bancárias avulsas, fora do calendário convencional de pagamento dos servidores.

As movimentações levantaram suspeitas sobre a legalidade dos repasses e passaram a integrar a investigação conduzida pela Polícia Federal.

Durante as buscas relacionadas à operação, os agentes também apreenderam aproximadamente R$ 600 mil em dinheiro, US$ 25 mil, € 10 mil, ouro e diversas armas de fogo.

Segundo as informações divulgadas, outras 15 armas encontradas no apartamento do servidor possuíam registro. A prisão em flagrante ocorreu especificamente em razão do revólver irregular.

SERVIDOR CONTINUA AFASTADO

Apesar da concessão de liberdade provisória, Jocimauro permanece submetido às medidas cautelares determinadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Entre as restrições estão o afastamento das funções públicas, a proibição de acessar as dependências e os sistemas do TCE-MT, a proibição de manter contato com outros investigados e a obrigação de entregar o passaporte.

Ao autorizar as medidas, o ministro Og Fernandes destacou que não havia elementos suficientes para vincular o servidor à operacionalização dos saques em espécie investigados.

Entretanto, a inclusão de Jocimauro em lotes específicos de pagamentos e os valores movimentados justificaram, segundo a decisão, a aplicação das restrições.

Na terça-feira (3), o servidor também foi exonerado de uma função comissionada durante uma série de mudanças promovidas pelo presidente interino do TCE-MT, Waldir Teis. Por integrar o quadro efetivo da instituição, mantém o vínculo funcional, embora esteja afastado por determinação judicial.

OPERAÇÃO INVESTIGA SUPOSTO ESQUEMA NO TCE

Deflagrada em 29 de outubro, a Operação Tomada de Contas investiga suspeitas de pagamentos irregulares, movimentações financeiras e possíveis desvios de recursos envolvendo integrantes da cúpula do Tribunal de Contas de Mato Grosso.

Entre os alvos estão conselheiros, servidores e outras pessoas investigadas por possível participação no esquema.

A operação resultou em seis mandados de prisão preventiva, incluindo o do então presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo de Almeida.

Jocimauro não teve prisão preventiva decretada no processo que investiga os pagamentos suspeitos. A detenção dele ocorreu exclusivamente em razão da arma encontrada durante as buscas.

As investigações continuam, e os envolvidos têm direito à ampla defesa e ao contraditório.

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