Faissal dispara contra Cattani por apoio a candidato do MDB e sugere que deputado deixe o PL
Deputado critica posicionamento do colega de partido na disputa pela próxima Mesa Diretora da Assembleia Legislativa e afirma que grupo de nove parlamentares está unido em busca da Primeira-Secretaria Foto: Reprodução
Durante entrevista, Faissal afirmou que Cattani tomou uma decisão individual, sem consultar os demais integrantes da bancada do PL, e questionou a proximidade política do deputado com Max Russi, do Podemos.
“Agora ele está falando que vai com o Max, seja o que o Max falar. Então, para mim, ele já pode mudar para o Podemos. Não é mais PL”, disparou.
A declaração ocorre em meio às articulações para a escolha da próxima composição da Mesa Diretora da ALMT. Faissal integra um grupo de nove deputados que busca conquistar a Primeira-Secretaria da Casa.
Segundo o parlamentar, uma reunião realizada em sua residência, na semana passada, reuniu representantes de diferentes partidos para discutir a formação de uma chapa. O grupo conta com quatro deputados do Republicanos, quatro parlamentares ligados ao PL e ao Podemos, além de Chico Guarnieri.
Faissal afirmou que as conversas estão avançadas e que existe confiança na manutenção dos votos já conquistados.
“Nós estamos bastante unidos. Conversamos diariamente sobre a Mesa. Então, grupo formado mesmo, nós temos nove votos, pessoas que eu tenho certeza que não vão trair, não vão faltar com lealdade”, declarou.
Grupo busca mais três votos para garantir a Primeira-Secretaria
De acordo com Faissal, três nomes estão sendo discutidos para representar o grupo na disputa pela Primeira-Secretaria: o próprio deputado, Diego Guimarães e Chico Guarnieri.
A definição deverá considerar a capacidade de cada um de ampliar a base de apoio. Atualmente, o grupo trabalha para conquistar outros três votos.
“O primeiro critério, eu acho que é a votação, quem tiver o maior número de votos. Então nós temos uma construção de nove, precisamos de mais três votos. Quem trouxer esses três votos”, explicou.
O parlamentar também revelou que a possibilidade de Cattani disputar a Primeira-Secretaria chegou a ser apresentada durante uma reunião do PL.
Segundo ele, o objetivo não é necessariamente ocupar o cargo, mas garantir a participação do grupo na próxima administração do Legislativo.
Faissal diz que foi surpreendido por posicionamento de Cattani
O deputado afirmou que apoiou Cattani nas duas últimas composições da Mesa Diretora e que o colega foi a primeira pessoa com quem conversou sobre as articulações após o primeiro turno das eleições.
Conforme Faissal, inicialmente Cattani manifestou interesse em disputar a Primeira-Vice-Presidência. No entanto, posteriormente anunciou apoio a João José de Matos, do MDB, sem discutir a decisão com os demais parlamentares do PL.
“Ele sempre esteve na Mesa com o voto do Faissal. Foi a primeira pessoa que eu comuniquei, a pessoa que eu mais converso dentro do Parlamento. Depois, ele deu uma entrevista falando que estava com o João sem nem comunicar, sem nem conversar com outros deputados do PL”, criticou.
Faissal classificou a atitude como precipitada e afirmou que o assunto já foi discutido internamente durante uma reunião partidária.
Apoio ao MDB amplia divergência dentro do PL
Outro ponto levantado pelo deputado foi a rivalidade política entre PL e MDB em Mato Grosso.
Faissal lembrou que as duas legendas estiveram em lados opostos em importantes disputas eleitorais, incluindo os municípios de Cuiabá e Rondonópolis, além da eleição para o Senado.
Para ele, esse histórico torna contraditório o apoio de um parlamentar do PL a uma candidatura do MDB na Assembleia Legislativa.
“Se o PL tem uma grande briga com o MDB aqui no estado de Mato Grosso, você sabe das prefeituras, sabe como foi Rondonópolis, sabe como foi aqui em Cuiabá, sabe como foi o Senado, fica muito difícil a pessoa pender para apoiar uma pessoa do MDB. Eu não acho certo isso”, afirmou.
Faissal também relatou que Cattani teria declarado a disposição de deixar o PL caso não consiga espaço na legenda para uma eventual candidatura ao Senado em 2030.
Apesar das críticas, Faissal não anunciou qualquer medida formal para solicitar a saída ou expulsão de Cattani. As declarações, entretanto, evidenciam o desgaste entre os parlamentares e a divisão política provocada pela disputa dos principais cargos da Assembleia Legislativa.
A eleição da próxima Mesa Diretora segue movimentando os bastidores da ALMT, com diferentes grupos buscando apoio para formar maioria entre os 24 deputados estaduais.






