• 6 de abril de 2026
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ECONOMIA

Banco Central impõe sigilo de 8 anos sobre documentos da liquidação do Banco Master

Medida restringe acesso público a informações do processo e levanta debate sobre transparência no sistema financeiro
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O Banco Central determinou sigilo de oito anos sobre documentos relacionados à liquidação do Banco Master, restringindo o acesso público a informações sobre o processo conduzido pela autoridade monetária.

Segundo o órgão, a classificação abrange registros que tratam de propostas de regimes de resolução, como intervenções e liquidações, seguindo um padrão adotado para instituições enquadradas no chamado segmento 3, caso do conglomerado Master.

De acordo com o Banco Central, o objetivo da medida é proteger informações sensíveis ligadas à supervisão, fiscalização e estabilidade do sistema financeiro. A autarquia argumenta que a divulgação antecipada desses dados pode gerar riscos ao ambiente econômico e comprometer investigações em andamento.

Na prática, a decisão limita o acesso da sociedade, de investidores e de analistas aos detalhes que embasaram a liquidação da instituição.

Paralelamente, o caso ganhou novos desdobramentos no campo judicial. O Banco Regional de Brasília (BRB) solicitou ao Supremo Tribunal Federal que uma possível delação premiada do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, inclua o ressarcimento de prejuízos relacionados a operações financeiras investigadas.

A negociação da delação ainda está em andamento junto à Procuradoria-Geral da República e à Polícia Federal, sem definição de valores ou condições até o momento.

O Banco Master entrou no radar das autoridades após crescimento acelerado no mercado financeiro, associado à oferta de produtos com alta rentabilidade e elevado risco. Investigações apontam um cenário crítico no fim de 2025, com descompasso entre ativos e disponibilidade de caixa, além de suspeitas de irregularidades envolvendo operações financeiras.

Diante desse contexto, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição, citando crise de liquidez e violações às normas do Sistema Financeiro Nacional.

A medida de sigilo reforça o caráter sensível do caso, ao mesmo tempo em que amplia o debate sobre transparência e acesso à informação em processos envolvendo o sistema financeiro.

Foto – Banco Master – Rovena Rosa/Agência Brasil