• 16 de maio de 2026
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AGRONEGÓCIO

Adjuvantes ganham papel estratégico diante de safra pressionada pelo clima

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A eficiência na aplicação de defensivos agrícolas passou a ocupar posição estratégica dentro do agronegócio brasileiro diante da instabilidade climática e da redução das janelas operacionais no campo. Com a possibilidade de formação do fenômeno El Niño ao longo de 2026, especialistas apontam que os adjuvantes deixam de ser apenas componentes auxiliares da calda de pulverização para assumir papel relevante na busca por produtividade, rentabilidade e sustentabilidade nas lavouras.

Dados recentes do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), com base em informações do CPC/NOAA, indicam probabilidade superior a 60% de formação do El Niño entre maio, junho e julho de 2026. Para o trimestre seguinte, entre junho, julho e agosto, essa chance sobe para 79%, podendo ultrapassar 90% a partir de agosto.

Historicamente, o fenômeno provoca comportamentos climáticos distintos nas regiões agrícolas do Brasil. Enquanto os estados do Sul costumam registrar aumento no volume de chuvas, áreas do Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste e Sudeste enfrentam períodos mais intensos de seca e irregularidade hírica. O cenário impacta diretamente a rotina no campo, dificultando a entrada de máquinas, elevando a pressão de doenças fúngicas e reduzindo as janelas ideais para pulverização.

Diante desse ambiente operacional mais complexo, especialistas defendem que o produtor rural precisa avaliar não apenas o produto aplicado, mas toda a qualidade da operação. A eficiência da pulverização se tornou essencial para proteger os investimentos realizados em defensivos agrícolas e garantir que o manejo planejado realmente alcance a lavoura.

A preocupação aumenta diante da projeção econômica da próxima safra. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima produção recorde de 353,4 milhões de toneladas de grãos no ciclo 2025/26. A soja deve atingir 177,8 milhões de toneladas, enquanto o milho pode alcançar 138,3 milhões. Ao mesmo tempo, a própria Conab já aponta impactos climáticos relevantes sobre o andamento das operações agrícolas, especialmente em regiões onde o excesso de chuva atrasou a colheita da soja e comprometeu o calendário da segunda safra do milho.

Nesse contexto, a tecnologia de aplicação passou a ser considerada uma ferramenta de gestão agrícola. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) destaca que uma pulverização eficiente busca aplicar a menor quantidade necessária de ingrediente ativo diretamente sobre o alvo, reduzindo perdas por deriva, evaporação e contaminação fora da área desejada.

Os adjuvantes ganham protagonismo justamente nesse cenário. Antes vistos apenas como complementos da mistura de tanques, esses produtos passaram a ser considerados aliados importantes da eficiência operacional. As formulações mais modernas ajudam no espalhamento, cobertura, aderência das gotas, estabilidade da calda e redução de perdas durante a pulverização, favorecendo o desempenho dos defensivos mesmo em condições climáticas adversas.

Além do aspecto técnico, o impacto também é econômico. Pulverizações mal executadas podem gerar desperdício de produto, necessidade de reaplicações, aumento no consumo de combustível, mais horas de máquina e redução na eficiência do controle de pragas, doenças e plantas daninhas.

Segundo especialistas do setor, o mercado tende a evoluir na forma como enxerga os adjuvantes, que passam a ser tratados como ferramentas estratégicas de eficiência operacional dentro do manejo agrícola moderno. Ainda assim, os resultados seguem diretamente ligados à recomendação técnica adequada, regulagem dos equipamentos, escolha correta das pontas de pulverização, volume de calda e condições climáticas no momento da aplicação.

Para o setor, a próxima safra pode consolidar uma mudança definitiva na percepção do campo, tornando a qualidade da aplicação tão importante quanto a escolha do próprio defensivo agrícola.

Leandro Viegas é administrador, bacharel em Direito e CEO da Sell Agro.