Mauro Mendes deixa governo com tom de missão cumprida e aposta em continuidade com Pivetta em Mato Grosso
Após transmitir o cargo ao vice, agora governador, ex-chefe do Executivo faz balanço de gestão, admite desgaste de decisões duras e projeta ciclo de prosperidade no estado Foto:
Um dia depois da posse oficial de Otaviano Pivetta (Republicanos) no comando do Executivo estadual, o agora ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) falou pela primeira vez em tom de despedida, durante coletiva concedida na Assembleia Legislativa, e fez um balanço enfático dos sete anos à frente do Palácio Paiaguás. Em um discurso carregado de simbolismo, Mendes afirmou que encerra o ciclo com a sensação de “dever cumprido” e com a convicção de que entregou o estado em um novo patamar de desenvolvimento.
“Terminamos hoje um ciclo importante da nossa trajetória, mas, acima de tudo, um ciclo importante da trajetória recente do Estado de Mato Grosso. Tivemos a honra de ajudar a governar esse Estado ao lado de milhares de pessoas, servidores, prefeitos, vereadores, e construímos talvez o mais consistente ciclo de desenvolvimento e crescimento da economia e dos serviços públicos”, afirmou.
A fala marca oficialmente a transição de comando, consolidada juridicamente com a posse de Pivetta na Assembleia Legislativa — ato que formaliza a troca de governo e encerra um dos períodos mais longos e politicamente estruturados da recente história administrativa de Mato Grosso.
Em tom emocional, Mendes descreveu o momento como uma mistura de sentimentos. “É como se o meu coração estivesse cheio de um rio de tristeza, mas um oceano de alegria”, disse, ao destacar o apego à função e, ao mesmo tempo, a satisfação com os resultados alcançados.
Ao defender o legado, o ex-governador reforçou que não se arrepende de nenhuma das decisões tomadas ao longo da gestão, mesmo diante das críticas e resistências enfrentadas, especialmente em momentos de ajuste fiscal e reformas estruturais.
“Não tem nenhuma das medidas que nós tomamos que eu tenha algum tipo de arrependimento. Todas eram corretas, todas eram necessárias e todas deram resultado consistente”, afirmou. Segundo ele, muitas das decisões foram inicialmente impopulares, gerando vaias de setores como produtores e servidores públicos, mas acabaram sendo compreendidas com o tempo.
O ex-governador relatou que, ao deixar o cargo, foi surpreendido por uma recepção de servidores que o aguardavam para aplaudir sua saída, o que, segundo ele, simboliza o reconhecimento ao trabalho desenvolvido. “Eu saí com o coração cheio de alegria de saber que tudo que nós planejamos aconteceu e que esse gigante Mato Grosso despertou”, declarou.
Mendes também projetou a continuidade do modelo adotado nos últimos anos, agora sob comando de Pivetta. Para ele, o estado está “nos trilhos corretos” e, se houver manutenção da linha de gestão, Mato Grosso pode viver um ciclo prolongado de crescimento.
“Tenho certeza que, se mantivermos nessa direção, nós vamos continuar melhorando e teremos um ciclo de 12 anos, no mínimo, de prosperidade”, afirmou.
Questionado sobre eventuais ataques ou perseguições políticas após deixar o cargo, Mendes adotou um tom mais duro e afirmou que esse tipo de movimento é esperado dentro do ambiente político, embora tenha minimizado o impacto.
“Perseguição por uma minoria de pessoas que não jogam o jogo limpo sempre existiu. Pessoas que não são do bem, que saem das trevas, isso infelizmente faz parte. Mas eu acredito em Deus, acredito na Justiça e vamos continuar focados naquilo que realmente importa: entregar resultado”, disse.
A coletiva também deixou claro que, apesar da saída formal do governo, Mendes não pretende se afastar completamente do cenário político e deve continuar atuando nos bastidores, especialmente em um momento em que o estado já vive o aquecimento da disputa eleitoral.
A transição para Pivetta ocorre em meio a um cenário político movimentado, com pré-candidaturas sendo articuladas e um ambiente de disputa que começa a ganhar intensidade. Ao deixar o cargo, Mendes tenta consolidar sua gestão como um marco de estabilidade e crescimento — narrativa que, ao que tudo indica, também servirá como base para os próximos movimentos políticos dentro de Mato Grosso.
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Redator – Chico Oliveira






