• 21 de maio de 2026
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CULTURA DE PAZ

Círculos de Construção de Paz impactam estudantes e fortalecem cultura de diálogo em Primavera do Leste

Semana Restaurativa realizada pelo Cejusc levou práticas restaurativas para cerca de 750 alunos da Escola Cívico-Militar Sebastião Patrício
Foto: Reprodução

Os Círculos de Construção de Paz promovidos pelo Poder Judiciário de Mato Grosso vêm fortalecendo ações de diálogo, acolhimento e prevenção de conflitos em Primavera do Leste. Durante a Semana Restaurativa realizada pelo Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) da comarca, cerca de 750 estudantes participaram das atividades desenvolvidas na Escola Cívico-Militar Sebastião Patrício.

A ação foi coordenada pelo Cejusc de Primavera do Leste, sob responsabilidade da juíza Patrícia Cristiane Moreira, e contou com a atuação de 36 facilitadores que conduziram dinâmicas voltadas à escuta, empatia e fortalecimento de vínculos.

Ao longo da semana, foram realizados 53 círculos envolvendo alunos de 26 turmas do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental. Durante os encontros, foram abordados temas relacionados à prevenção ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes, respeito ao próprio corpo, autocuidado e fortalecimento de relações familiares e sociais.

Além dos impactos junto aos estudantes, a experiência também marcou os próprios facilitadores envolvidos nas atividades.

A servidora da Diretoria Regional de Educação de Primavera do Leste e facilitadora desde 2017, Simone Bortoluzzi Camargo, destacou que a experiência transformou o ambiente escolar em um espaço de acolhimento e confiança.

“A escola deixou de ser apenas um lugar de conteúdos e avaliações para se tornar, verdadeiramente, um espaço de encontro entre pessoas que carregam histórias, inseguranças, sentimentos e necessidade de serem ouvidas. Não se tratou apenas de desenvolver uma atividade pontual, mas de construir um espaço humano de escuta, acolhimento e confiança”, afirmou.

Segundo Simone, os círculos permitiram que os estudantes se sentissem seguros para falar sobre sentimentos e dificuldades, inclusive aqueles mais tímidos.

“As reações dos alunos durante os encontros foram, para mim, uma das partes mais impactantes de toda a experiência. Chamou muita atenção a emoção presente nas falas, os silêncios carregados de significado e, principalmente, a maneira como muitos estudantes demonstraram alívio ao perceber que não estavam sozinhos em seus sentimentos e dificuldades”, completou.

A facilitadora e agente da Infância e Juventude, Heldicely Oliveira, também ressaltou o impacto pessoal gerado pelas práticas restaurativas.

“Os círculos são transformadores não apenas para quem participa, mas também para nós facilitadores. É um crescimento pessoal imenso. Muitas pessoas não conseguem falar sobre seus sentimentos. Outras não conseguem ser ouvidas. Essa falta de diálogo gera conflitos familiares e sociais. Portanto, ter esse momento de fala e escuta, sem julgamento, é transformador”, pontuou.

Para a diretora da Escola Cívico-Militar Sebastião Patrício, Liliane Ferrati, a iniciativa deixa reflexos positivos tanto para os estudantes quanto para toda a comunidade escolar.

“Buscamos sempre trabalhar temas relacionados à proteção de crianças e adolescentes por meio do diálogo, da escuta e de ações educativas. Acredito muito nos círculos de paz e no poder das práticas restaurativas para transformar relações e prevenir conflitos. Por acreditar nisso, vamos continuar desenvolvendo e fortalecendo essas práticas em nossa escola”, destacou.