• 26 de outubro de 2026
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PRORROGAÇÃO DA VOTAÇÃO

Levantamento aponta apenas 5.052 votos após as 17h em urnas que permaneceram abertas durante prorrogação determinada por Zanin

Análise dos registros eletrônicos do TSE identificou 7.352 urnas encerradas depois das 17h45; quantidade de votos representa apenas 0,004% do total registrado no segundo turno presidencial
Foto: Reprodução

Um levantamento independente realizado a partir dos registros eletrônicos das urnas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) identificou apenas 5.052 votos registrados depois das 17h em seções eleitorais que permaneceram funcionando além das 17h45, durante a prorrogação da votação determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), no segundo turno das eleições presidenciais deste domingo (25). O número representa aproximadamente 0,004% dos 127,6 milhões de votos analisados e demonstra que a continuidade da votação teve alcance bastante limitado no universo eleitoral brasileiro.

O levantamento, divulgado nesta segunda-feira (26), analisou os registros de 497.882 urnas eletrônicas em território nacional, desconsiderando a votação no exterior. Desse total, 7.352 urnas, equivalentes a 1,48%, tiveram o encerramento registrado depois das 17h45. Nessas seções, foram identificados 5.052 votos registrados após as 17h, horário originalmente previsto para o encerramento da votação.

Os dados mostram que o Rio de Janeiro concentrou o maior número de urnas que permaneceram abertas além das 17h45, com 3.301 equipamentos e 1.966 votos registrados depois das 17h. Em São Paulo, foram 1.874 urnas e 1.626 votos. Na Bahia, 1.014 urnas e 842 votos. Pernambuco registrou 705 urnas e 296 votos, enquanto a Paraíba teve 312 urnas e 140 votos. Os demais estados somaram 146 urnas e 182 votos.

A decisão de Cristiano Zanin foi tomada no final da tarde de domingo, após questionamentos apresentados pelas campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre dificuldades enfrentadas por eleitores para chegar aos locais de votação, especialmente em razão de problemas no transporte público. O ministro determinou a extensão do horário até as 19h, mas a medida encontrou uma dificuldade prática: milhares de seções eleitorais já haviam encerrado suas atividades quando a determinação começou a ser implementada.

Diante dessa situação, o próprio ministro precisou esclarecer que a prorrogação seria aplicada exclusivamente às seções que ainda não haviam sido encerradas. As urnas eletrônicas já fechadas não poderiam ser reabertas para receber novos votos, uma vez que o procedimento de encerramento impede tecnicamente a retomada da votação no mesmo turno.

A decisão também provocou a suspensão temporária da totalização dos votos pelo TSE. Às 17h06, quando a apuração foi interrompida, 1.225 seções já haviam sido totalizadas. A divulgação dos resultados foi retomada depois das 19h, quando terminou o período adicional estabelecido pela determinação judicial.

Embora o levantamento tenha identificado 5.052 votos registrados depois das 17h nas urnas que permaneceram abertas além das 17h45, não é possível afirmar que todos esses eleitores tenham conseguido votar exclusivamente por causa da decisão de Zanin. Isso porque a legislação eleitoral já assegura o direito ao voto às pessoas que estavam na fila no horário regular de encerramento, independentemente de qualquer prorrogação.

Uma segunda análise, considerando todas as urnas eletrônicas, independentemente do horário em que foram encerradas, identificou 34.330 votos registrados depois das 17h. A diferença ocorre justamente porque muitas seções continuaram recebendo eleitores que já aguardavam na fila, procedimento permitido normalmente pela Justiça Eleitoral.

Os números também afastam qualquer possibilidade matemática de que os votos identificados nas urnas que permaneceram abertas além das 17h45 tenham sido suficientes para alterar o resultado da eleição presidencial. Lula venceu Flávio Bolsonaro por uma diferença de 4.430.191 votos. Os 5.052 votos registrados nessas seções representam aproximadamente 0,11% dessa vantagem.

O levantamento é independente e utiliza dados públicos dos registros eletrônicos das urnas, não constituindo, até o momento, uma conclusão oficial do Tribunal Superior Eleitoral sobre os efeitos da prorrogação. Ainda será necessário identificar quantos eleitores efetivamente chegaram aos locais de votação depois das 17h e conseguiram votar em decorrência direta da determinação judicial.

Apesar dessa ressalva, os dados oferecem uma dimensão concreta da aplicação da medida. Em uma eleição com mais de 127 milhões de votos registrados nas urnas brasileiras, apenas 5.052 foram identificados depois das 17h nas seções que permaneceram funcionando além das 17h45. O episódio evidencia a dificuldade operacional de executar uma decisão nacional de prorrogação quando o processo de encerramento das urnas já estava em andamento em praticamente todo o país.

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