• 23 de outubro de 2026
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DIA DO PLANTIO DIRETO

Do solo degradado à soja certificada: CAT Sorriso impulsiona a produção sustentável no coração do agronegócio de Mato Grosso

Iniciativa criada há 24 anos por produtores já reúne 53 fazendas certificadas, cerca de 290 mil hectares e US$ 7,5 milhões acumulados em bonificações; sistema de plantio direto reduz custos, conserva água e protege o solo do Cerrado
Foto: Reprodução

Economizar combustível, preservar nascentes, reduzir a erosão e produzir soja com reconhecimento internacional. Em Sorriso, no Médio-Norte de Mato Grosso, uma das principais regiões produtoras de grãos do país, esses objetivos passaram a caminhar juntos a partir de uma mudança decisiva na forma de cultivar a terra. Há 24 anos, a Associação Clube Amigos da Terra (CAT Sorriso) mobiliza produtores rurais para transformar práticas agrícolas e demonstrar que a sustentabilidade pode gerar resultados ambientais, econômicos e sociais sem abrir mão da produtividade. Em 23 de outubro, comemora-se o Dia Nacional do Plantio Direto, uma data que convida à reflexão sobre os avanços proporcionados pela adoção desse sistema na produção agrícola.

A dimensão dessa transformação aparece nos números. Sob a gestão do CAT Sorriso, o programa Gente que Produz e Preserva encerrou a safra 2024/2025 com 686 mil toneladas de soja certificadas pelo padrão internacional RTRS (Round Table on Responsible Soy). Entre 2015 e 2025, o grupo passou de nove para 53 fazendas certificadas, abrangendo aproximadamente 290 mil hectares. Em dez anos, os produtores acumularam US$ 7,5 milhões em bonificações financeiras relacionadas à certificação.

Os resultados são fruto de uma trajetória que começou com uma preocupação concreta: impedir que a própria atividade agrícola comprometesse o patrimônio natural do qual depende.

No fim da década de 1990, a região de Sorriso ainda passava pelo período de abertura de novas áreas. Para isso, era necessário o revolvimento intenso da terra com grades e arados, para produção agrícola. Em períodos de chuva forte, o solo descoberto ficava vulnerável à erosão, e parte da terra era carregada para rios e nascentes. Preocupado com esse cenário, o produtor rural Darcy Ferrarin, que conheceu o Sistema de Plantio Direto ainda jovem, em Cruz Alta (RS), por meio do chamado Clube da Minhoca, ajudou a reunir agricultores dispostos a mudar essa realidade.

Ferrarin foi o primeiro presidente do CAT Sorriso, associação criada por produtores que compartilhavam a preocupação com a conservação do solo, respeito ao meio ambiente e a continuidade da produção agrícola. O problema, segundo ele, tornava-se evidente durante as chuvas intensas do Cerrado. “Isso era muito danoso, porque principalmente aqui em Mato Grosso, as pancadas de chuva são muito fortes, e o solo desprotegido ocasionava grandes erosões nas áreas de plantio. Consequentemente, havia grandes estragos, com terra que se deslocava para os rios e para cima das nascentes.”

A mobilização ganhou força em 2003, quando Sorriso sediou o 7º Encontro Nacional de Plantio Direto no Cerrado, que reuniu especialistas e apresentou experiências nacionais e internacionais sobre cobertura do solo. A partir dali o CAT intensificou palestras, encontros e ações de orientação para ampliar a adoção do sistema entre os produtores.

A mudança defendida pela associação tem um princípio simples: em vez de revolver continuamente a terra, o plantio direto mantém a palhada das culturas sobre a superfície e reduz as operações de preparo do solo. Essa cobertura protege a área contra o impacto das chuvas, favorece a infiltração da água e contribui para conservar a fertilidade e a estrutura do terreno.

“O sistema de plantio direto foi um avanço extraordinário, uma coisa que chama atenção porque além da economia que se faz de óleo diesel, redução de fertilizante, redução de calcário, porque aquilo que se põe no solo, ele fica por ali e é absorvido pelas raízes da planta e não absorvido por enxurradas”, disse Ferrarin.

Menos custos, mais água no solo e segurança para a produção

O que o produtor Darcy Ferrarin constatou ao longo de anos de atividade agrícola com o Sistema de Plantio Direto também foi mensurado por pesquisas. De acordo com o pesquisador e cientista de solos Dione Castro, doutor e vinculado à Embrapa Agrossilvipastoril, em Sinop (MT), o sistema pode economizar até 50 mil litros de diesel por safra em uma propriedade de 2 mil hectares. A redução ocorre porque operações como aração e gradagem deixam de ser necessárias, diminuindo também o desgaste de máquinas, pneus e peças, além dos gastos com mão de obra.

“A economia vai muito além de combustível. Cada passada de trator representa diesel, desgaste de pneu, de peça e trabalho do operador. No sistema de plantio direto, essas operações deixam de existir, e a plantadeira entra diretamente sobre a palhada”, explica o pesquisador.

Em Mato Grosso, onde a soja é frequentemente seguida pelo milho de segunda safra, a agilidade na semeadura representa outra vantagem estratégica. Ao reduzir o tempo gasto no preparo da terra, o produtor ganha condições de implantar a cultura seguinte com maior rapidez, aspecto importante diante das janelas de plantio condicionadas pelo clima. “Na minha avaliação, a segunda safra, do jeito que a conhecemos hoje em Mato Grosso, dificilmente existiria sem o plantio direto”, afirma Castro.

A conservação dos recursos naturais é outro diferencial. Estudos da Embrapa realizados em solos do Cerrado, com base em cinco anos de dados, registraram sete vezes menos perda de solo e três vezes menos perda de água no plantio direto em comparação com o sistema convencional.

“A palhada funciona como um guarda-chuva, amortecendo o impacto direto da chuva sobre o solo. Isso contribui para a permanência do solo no sistema e também para que a água fique armazenada nele, em vez de ser levada pela enxurrada”, destaca Castro.

A cobertura vegetal, associada à diversificação de culturas, também favorece a ciclagem de nutrientes, a estrutura do solo e o acúmulo de carbono. Para alcançar esses resultados, porém, o pesquisador ressalta a importância de manter uma quantidade suficiente de palhada e ampliar a diversidade de plantas utilizadas entre as safras.
“Um plantio direto só com soja ou com pouca palhada acumula muito pouco carbono. Precisamos trabalhar com consórcios e culturas que produzam palhada suficiente para proteger o solo por um período maior”, alerta o pesquisador.

Para quem acompanhou de perto as mudanças no sistema de produção, há muito a comemorar ao longo desses 24 anos. “Hoje nós estamos plantando aí com uma tecnologia de ponta, o produtor tem consciência que nós precisamos produzir alimentos de qualidade, mas acima de tudo preservar o meio ambiente”, afirma Darcy Ferrarin.

*Sobre o CAT Sorriso*

Fundado por produtores rurais, o CAT Sorriso é uma associação sem fins lucrativos que há 24 anos trabalha para promover a evolução sustentável do agronegócio, por meio da inovação, da difusão de conhecimento e da adoção de práticas que conciliam produtividade e conservação ambiental.

Sua atuação abrange projetos de agricultura regenerativa, plantio direto, Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), recuperação de Áreas de Preservação Permanente (APPs) e educação ambiental. A associação preza pela transparência de suas ações, valoriza as famílias do campo e desenvolve iniciativas voltadas à preservação ambiental, com foco em resultados concretos.

Crop AgroComunicação – assessoria de imprensa do CAT Sorriso

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