Com raízes em Primavera, Alessandra Ferreira defende fim da cobrança de pedágio para motociclistas
Candidata quer levar debate à Assembleia Legislativa e cita impacto da tarifa sobre trabalhadores que utilizam motocicletas diariamente nas rodovias estaduais Foto: Assessoria
Com uma relação que vem desde a infância com Primavera do Leste, onde viveu parte de sua trajetória, a candidata a deputada estadual Alessandra Ferreira (Podemos) colocou entre as propostas de campanha a implantação da Tarifa Zero para motocicletas nos pedágios das rodovias estaduais de Mato Grosso. A medida, segundo ela, teria impacto principalmente sobre trabalhadores que utilizam a moto como principal meio de transporte e precisam passar diariamente por praças de cobrança.
Alessandra cita justamente a região de Primavera do Leste como um dos exemplos de onde a discussão precisa avançar. O município está em uma posição estratégica no entroncamento de importantes rodovias e mantém intenso fluxo diário com cidades como Poxoréu e Paranatinga, inclusive de trabalhadores, pequenos produtores, prestadores de serviços e moradores que utilizam motocicletas para seus deslocamentos.
“Na região de Primavera do Leste, por exemplo, existe a cobrança de pedágio tanto para quem precisa se deslocar para Poxoréu quanto para Paranatinga. Diariamente são muitos os trabalhadores que trafegam por toda essa região de moto e acabam penalizados com uma cobrança que considero injusta”, afirma.
A proposta defendida pela candidata parte da diferença entre o impacto provocado por uma motocicleta e por veículos de maior porte sobre a estrutura rodoviária. Com peso significativamente menor, as motos provocam desgaste muito inferior no pavimento quando comparadas principalmente a caminhões, carretas, ônibus e outros veículos pesados, argumento que Alessandra pretende levar para a Assembleia Legislativa caso seja eleita.
A candidata também aponta o caráter social da medida. Em Mato Grosso, especialmente nos municípios do interior, a motocicleta deixou há muito tempo de ser apenas uma alternativa de transporte individual e passou a fazer parte da rotina de milhares de trabalhadores. O menor preço de aquisição, o consumo reduzido de combustível e o custo de manutenção fazem com que a moto seja, para muitas famílias, a opção economicamente possível para trabalhar e se deslocar entre cidades.
Para Alessandra, é justamente sobre esse público que a cobrança acaba tendo maior peso. Uma tarifa que pode parecer pequena em uma passagem isolada se transforma em uma despesa relevante quando o deslocamento é feito diariamente, principalmente para quem precisa atravessar uma praça de pedágio para trabalhar.
“A Tarifa Zero já é uma realidade em grandes centros brasileiros. Por que não trazer isso para Mato Grosso? Se outros conseguiram implementar essa medida, nós também podemos. Quero levar esse tema para discussão na Assembleia, buscar uma alternativa que garanta mais justiça na cobrança de pedágio”, afirmou.
A discussão sobre a isenção para motociclistas já ganhou espaço em diferentes regiões do país e Alessandra quer colocar Mato Grosso dentro desse debate, levando em consideração as particularidades de um estado de grandes distâncias e no qual as rodovias são fundamentais não apenas para o transporte da produção, mas também para o deslocamento cotidiano da população.
A proposta ganha atenção especial em Primavera do Leste pela própria relação da candidata com o município. Alessandra viveu a infância na cidade e afirma conhecer de perto a realidade de quem começa a trabalhar cedo e precisa administrar cada despesa do orçamento familiar. Segundo ela, essa experiência ajuda a orientar propostas voltadas para medidas práticas, capazes de produzir impacto direto no cotidiano da população.
“Esperamos com essa medida beneficiar os trabalhadores aqui de Primavera do Leste e região, bem como as pessoas que vivem em todo o estado de Mato Grosso”, reforçou.
Caso avance para a Assembleia Legislativa, a proposta ainda terá pela frente uma discussão que envolve contratos de concessão, equilíbrio econômico-financeiro das rodovias e a definição de como eventual isenção seria incorporada ao modelo de cobrança. Alessandra sustenta, porém, que essas questões não podem impedir o debate sobre um tratamento diferenciado às motocicletas e defende que o Estado encontre um modelo que não transfira aos trabalhadores um custo considerado desproporcional ao impacto que esses veículos provocam nas rodovias.






