• 23 de maio de 2026
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JUSTIÇA

JUSTIÇA AFASTA 22 POLICIAIS PENAIS POR SUSPEITA DE TORTURA EM PRESÍDIOS DE MATO GROSSO

Decisão do Tribunal de Justiça aponta denúncias de agressões físicas, uso excessivo de spray de pimenta e maus-tratos contra detentos em unidades prisionais do estado
Foto: Reprodução

O desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Orlando de Almeida Perri, determinou o afastamento de 22 policiais penais investigados por suspeitas de tortura, maus-tratos e abuso de autoridade em unidades prisionais do estado.

A decisão foi assinada nesta quarta-feira (20), no âmbito de um habeas corpus coletivo que apura violações contra presos no sistema penitenciário estadual.

Segundo a determinação judicial, os agentes atuavam nas cadeias públicas de Araputanga, Cáceres e Mirassol D’Oeste. Os servidores deverão ser retirados das unidades e transferidos para funções administrativas, sem contato direto com detentos.

As investigações começaram após inspeções realizadas pelo Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (GMF/MT), entre os dias 2 e 4 de março deste ano.

De acordo com os relatórios apresentados à Justiça, foram identificadas denúncias de agressões físicas, uso excessivo de spray de pimenta e gás lacrimogêneo em celas fechadas, além de punições consideradas degradantes e represálias contra presos que denunciaram os casos.

Na decisão, o magistrado afirmou existir “grau suficiente de plausibilidade” nas denúncias apresentadas pelos detentos e destacou que a permanência dos policiais nas unidades poderia intimidar vítimas e testemunhas, além de comprometer o andamento das investigações.

O desembargador também determinou a abertura de inquéritos policiais para apurar possíveis crimes de tortura, maus-tratos e abuso de autoridade cometidos pelos agentes. As investigações serão conduzidas pela Polícia Civil de Mato Grosso.

O caso se soma a outras medidas recentes relacionadas ao sistema prisional do estado. Em fevereiro deste ano, a Justiça já havia determinado o afastamento de 14 policiais penais investigados por suposta tortura contra reeducandos da Penitenciária Dr. Osvaldo Florentino Leite Ferreira, conhecida como Ferrugem, em Sinop.

Na ocasião, também foi determinada a exumação do corpo do reeducando Walmir Paulo Brackmann, que morreu após inalar spray de pimenta disparado dentro da unidade prisional.

Segundo o documento judicial, ao menos 23 servidores foram mencionados nos relatórios de inspeção, sendo nove em Araputanga, 11 em Cáceres e três em Mirassol D’Oeste.

Além dos afastamentos, Orlando Perri determinou que o Governo do Estado adote medidas imediatas para corrigir problemas estruturais, o racionamento de água e denúncias de maus-tratos contra detentos em unidades prisionais de Mato Grosso.