“Taradão da OAB” vira alvo de investigação após denúncia de importunação sexual durante evento em Salvador
Caso envolvendo conselheiro da OAB de Mato Grosso expõe mais uma vez o avanço da violência sexual no país e gera revolta nos bastidores da advocacia Foto: Reprodução assessoria
O que deveria ser um evento institucional da advocacia brasileira terminou em constrangimento, denúncia policial e desgaste nacional para a Ordem dos Advogados do Brasil. Um conselheiro federal da OAB de Mato Grosso passou a ser investigado por importunação sexual após ser acusado de perseguir, tocar sem consentimento e até tentar entregar dinheiro a uma advogada durante um evento realizado no Centro Histórico de Salvador, na Bahia.
Nos bastidores da advocacia, o episódio rapidamente transformou o investigado no “taradão da OAB”, expressão que começou a circular diante da gravidade e do constrangimento causado pelo comportamento descrito pela vítima.
Segundo o relato apresentado à Polícia Civil da Bahia, o advogado teria passado a noite fazendo comentários insistentes sobre a aparência da colega, pressionando para que ela bebesse e tentasse sair do evento com ele. Em determinado momento, teria tocado a perna da vítima sem autorização. Depois da rejeição, ainda teria seguido a advogada até a área externa do evento e colocado um “bolo” de dinheiro em sua mão.
A denúncia foi registrada na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), que investiga o caso como importunação sexual. A própria OAB confirmou o afastamento do conselheiro enquanto ocorre a apuração.
O episódio ocorre em meio a um cenário alarmante de violência contra mulheres no Brasil. A importunação sexual virou crime em 2018, justamente após casos de grande repercussão nacional envolvendo abusos em locais públicos. A legislação prevê pena de um a cinco anos de prisão.
Os números mostram que o problema está longe de diminuir. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam crescimento constante das notificações de importunação sexual no país desde a criação da lei. Em Mato Grosso, os registros praticamente dobraram nos últimos anos, refletindo um ambiente de maior denúncia, mas também de persistência desse tipo de violência.
O caso gerou indignação principalmente porque envolve justamente um integrante de uma instituição que historicamente se posiciona em defesa das mulheres, da legalidade e dos direitos fundamentais. Nos corredores da advocacia, a avaliação é que a situação produziu um desgaste gigantesco para a imagem da entidade.
A OAB da Bahia divulgou nota dura afirmando que “não medirá esforços para punir severamente condutas que violam a dignidade das mulheres advogadas”. Já a direção da OAB-MT declarou repúdio a qualquer forma de violência contra a mulher e informou que acompanha os desdobramentos do caso.





