O governador de Mato Grosso, Otaviano Piveta (Republicanos), não tentou dourar a pílula ao comentar a decisão de aliviar o peso do Fethab 2 sobre o setor produtivo. Ao contrário: foi direto ao ponto ao admitir que a escolha tem custo — e que esse custo vai bater no caixa do Estado.
“Vai fazer falta, é óbvio que faz”, disse, sem rodeios.
O Fethab, criado com finalidade específica para bancar obras de infraestrutura e projetos habitacionais, sempre foi uma das principais engrenagens financeiras do Estado. Estradas, pontes e boa parte da logística que sustentou o crescimento de Mato Grosso nos últimos anos passaram, de alguma forma, por esse fundo abastecido majoritariamente pelo setor produtivo.
Ao decidir reduzir a pressão sobre esse mesmo setor, o governo faz uma inflexão que mistura necessidade econômica e cálculo político. Piveta reconhece que o momento é delicado — e usa isso como base para justificar a medida.
“Nós reconhecemos que o setor está passando por uma crise talvez sem precedentes. Uma crise muito grave mesmo. Então, é natural que a gente alivie a carga”, afirmou.
A conta, no entanto, não desaparece. Ela apenas muda de lugar. E o próprio governador admite que será preciso reorganizar prioridades dentro do orçamento.
“Nós vamos rever alguns investimentos para equacionar a questão financeira, caixa”, afirmou, numa frase que, traduzida para o mundo real, significa freio em obras ou, no mínimo, reavaliação do ritmo de execução.
Mesmo com o alívio anunciado, o Fethab não some de imediato. A cobrança segue até o fim do ano, respeitando quem já pagou e evitando distorções entre contribuintes.
“O nosso compromisso é não reeditar no final do ano, mas vai funcionar até lá. Muita gente já pagou, outros vão pagar e tem que ter isonomia”, explicou.
O movimento atende a uma pressão clara do setor produtivo, que há meses vinha alertando para o aperto financeiro, especialmente diante de um cenário de custos elevados e margens comprimidas. Ao ceder agora, o governo preserva essa relação, mas assume o desafio de manter o equilíbrio das contas sem uma fonte relevante de receita.
Nos bastidores, a leitura é simples: o Estado abre mão de parte da arrecadação para não estrangular quem produz. Em troca, ganha fôlego político e tenta segurar a atividade econômica. O risco está na outra ponta — manter o nível de investimentos que marcou os últimos anos com menos dinheiro disponível.
Piveta deixa claro que o cenário ainda está em aberto e que a decisão não é, necessariamente, definitiva.
“Talvez até o final do ano mude o cenário e a gente mude de opinião também”, afirmou.
A frase, mais do que uma possibilidade, soa como aviso. O governo reage ao presente, mas sabe que pode ser obrigado a recalcular a rota. Até lá, a equação é conhecida: menos arrecadação, mais pressão sobre o caixa e escolhas difíceis pela frente.