• 29 de maio de 2026
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Mohamed Kalil Zaher e a diferença entre ocupar um cargo e construir um legado

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A morte de Mohamed Kalil Zaher não representa apenas a despedida de um ex-vereador. Ela marca o encerramento de um capítulo importante da história de Rondonópolis.

Em tempos em que a política muitas vezes é confundida com carreira, projeto pessoal ou busca por poder, a trajetória de Mohamed serve como um lembrete de que existem homens que passaram pela vida pública deixando algo muito maior do que mandatos. Deixando legado.

Mohamed nunca precisou da política para viver. Empresário bem-sucedido, construiu patrimônio, prosperidade e reconhecimento muito antes de ocupar qualquer cargo eletivo. Talvez exatamente por isso tenha conseguido enxergar a política de uma forma diferente. Não como profissão, mas como missão.

Ao longo de quatro mandatos como vereador, ajudou a escrever parte da história de Rondonópolis. Foi uma liderança respeitada por adversários e aliados, transitando com naturalidade entre os bairros populares e os grandes setores produtivos da cidade. Defendia o desenvolvimento econômico sem perder de vista as necessidades das famílias mais humildes.

Mas limitar Mohamed Kalil Zaher ao cargo de vereador seria uma enorme injustiça.

Seu legado mais poderoso talvez não esteja registrado nas atas da Câmara Municipal nem nos arquivos da política local. Está espalhado pela cidade.

Está nos milhares de estudantes que tiveram acesso ao ensino superior através das bolsas de estudo concedidas por ele. Está nos policiais militares que encontraram uma oportunidade de crescimento profissional graças ao incentivo que receberam. Está nas famílias atendidas por projetos sociais que contaram com sua ajuda. Está nas entidades beneficentes, nas creches, nas ações comunitárias e nas dezenas de projetos sociais que receberam seu apoio ao longo de décadas.

Pouca gente conhece a dimensão real da contribuição que Mohamed deu para a educação em Rondonópolis. Como mantenedor do CESUR, abriu portas para milhares de pessoas. Muitos profissionais que hoje ocupam posições de destaque talvez nunca tivessem conseguido chegar onde chegaram sem aquela oportunidade oferecida por ele.

Sua marca sempre esteve ligada à disposição de ajudar. Sem alarde, sem necessidade de holofotes e muitas vezes longe das manchetes, colaborou com inúmeras iniciativas sociais que transformaram vidas e ofereceram oportunidades para quem mais precisava.

Por isso, quando se fala em Mohamed Kalil Zaher, não estamos falando apenas de um político. Estamos falando de um homem que transformou recursos em oportunidades, influência em serviço e prosperidade em solidariedade.

A dor da família é imensa. A dor do vereador Ibrahim Zaher, que herdou do pai não apenas o sobrenome, mas também a vocação para a vida pública, é compreensível e humana.

Mas a verdade é que Ibrahim não está sozinho nesse luto.

Rondonópolis inteira perde um pouco de si com a partida de Mohamed.

Perdem os amigos, os familiares, os ex-alunos, os profissionais que receberam uma chance, os líderes comunitários que encontraram apoio e todos aqueles que, em algum momento da vida, foram alcançados por sua generosidade.

Alguns homens passam pela política.

Outros ajudam a construir cidades.

Mohamed Kalil Zaher pertence ao segundo grupo.

Seu nome já não pertence apenas à família Zaher ou à história da Câmara Municipal. Seu nome pertence à história de Rondonópolis.

 

*Chico Oliveira é jornalista e diretor do NMT – Notícias de Mato Grosso.

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