• 27 de maio de 2026
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DEFESA DAS MULHERES

Cel Vânia critica soluções “fáceis” contra violência doméstica e defende prevenção e educação

Vice-prefeita de Cuiabá afirmou na Assembleia Legislativa que porte de arma e luta corporal não resolvem o problema e disse não ter sido ouvida pela gestão municipal sobre propostas para a área
Foto: Reprodução

A vice-prefeita de Cuiabá, coronel Vânia (MDB), defendeu uma mudança de abordagem no enfrentamento à violência doméstica durante uma coletiva concedida em visita à Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Com experiência na área de segurança pública, ela afirmou que o combate à violência contra a mulher não pode ser tratado com respostas simplistas, como incentivo ao porte de arma ou à luta corporal, e defendeu ações preventivas, educativas e estruturais como caminho mais efetivo para enfrentar o problema.

Segundo Cel Vânia, o projeto que ela defende se diferencia justamente por atuar antes da agressão, com foco na prevenção, e não apenas na reação ao crime já consumado. Para ela, a ideia de responder à violência com mais violência não reduz os riscos enfrentados pelas mulheres, principalmente porque, na maioria dos casos, os ataques ocorrem de forma inesperada, impulsiva e marcada pela ira do agressor.

“Eu não acredito que seja a melhor forma de combater a violência doméstica, a violência contra a mulher, lutando ou dando porte de arma para essa mulher. A gente sabe o risco que é ter uma arma no coldre ou ter esse porte de arma e andar na rua”, afirmou.

A vice-prefeita também citou a própria experiência policial para alertar sobre os riscos do armamento. Segundo ela, mesmo policiais treinados precisam manter atenção constante quando estão armados, já que a arma pode se tornar alvo em uma abordagem criminosa e, em determinadas situações, acabar sendo usada contra a própria vítima.

Questionada se conseguiu apresentar propostas ao Executivo municipal sobre a política de enfrentamento à violência doméstica, Cel Vânia afirmou que não teve espaço para participar das discussões envolvendo a Secretaria da Mulher, legislação, porte de arma ou outras medidas relacionadas ao tema.

“Nada me foi perguntado, então nada eu pude participar nessa gestão referente a isso”, disse.

Cel Vânia também criticou o uso político da pauta e afirmou que a violência doméstica é um problema complexo, profundo e estrutural, que não pode ser tratado como “briga de marido e mulher” nem enfrentado com soluções imediatistas. Para ela, o caminho passa por mudança cultural, educação e prevenção.

“Quando a gente vem com uma solução fácil, isso não é solução. Isso é politicagem, isso é imediatismo. A solução é mudar a nossa cultura, é agir com prevenção, com educação e na profundidade do problema”, declarou.

A vice-prefeita ainda destacou que o endurecimento de penas, sozinho, não foi suficiente para reduzir os índices de violência contra a mulher. Segundo ela, os dados dos últimos anos mostram aumento nos registros, o que reforça a necessidade de políticas públicas mais amplas e permanentes.

“Não tem solução fácil. E quem vender essa solução fácil está fazendo politicagem em cima de um problema tão complexo e que vitima nossas mulheres. E isso eu não faço”, concluiu.