Empresário de Rondonópolis é denunciado pelo Ministério Público como mandante da morte do advogado Roberto Zampieri
Aníbal Manoel Laurindo e a esposa, Elenice Ballarotti Laurindo, foram denunciados por homicídio qualificado; caso ganhou repercussão nacional após investigação revelar possíveis conexões com esquema de venda de sentenças Foto: Reprodução
O assassinato do advogado Roberto Zampieri, executado a tiros na saída do escritório dele em Cuiabá, ganhou um novo e pesado capítulo nesta sexta-feira (22). O Ministério Público de Mato Grosso denunciou nove pessoas envolvidas no caso e apontou oficialmente o empresário Aníbal Manoel Laurindo, conhecido em Rondonópolis no ramo empresarial e ligado ao setor de locação de veículos, como um dos mandantes do crime.
A denúncia também inclui a esposa dele, Elenice Ballarotti Laurindo. Ambos foram denunciados por homicídio qualificado dentro da investigação conduzida inicialmente pela Polícia Civil e aprofundada posteriormente pela Polícia Federal.
Roberto Zampieri foi assassinado em 5 de dezembro de 2023, em frente ao próprio escritório, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá. O advogado havia acabado de entrar em sua caminhonete quando foi surpreendido pelo atirador, que efetuou diversos disparos. O caso rapidamente ultrapassou os limites de um homicídio comum e passou a atingir os bastidores do Judiciário brasileiro.
Segundo as investigações, a motivação do crime estaria ligada a uma disputa milionária de terras na região de Paranatinga. A área em disputa teria valor estimado em cerca de R$ 100 milhões. A Polícia Civil concluiu que Aníbal Laurindo teria decidido encomendar a morte após derrotas judiciais envolvendo propriedades rurais e suspeitas de proximidade entre Zampieri e integrantes do Judiciário mato-grossense.
O caso ganhou dimensão ainda maior após a perícia no celular do advogado revelar mensagens, contatos e possíveis indícios de negociações envolvendo decisões judiciais. A partir dali, surgiram investigações paralelas sobre supostos esquemas de venda de sentenças e relações entre advogados, lobistas e integrantes do Judiciário.
Além do casal apontado como mandante, o Ministério Público denunciou outras pessoas suspeitas de participação direta na execução, incluindo intermediários, financiadores e o executor do crime. Parte dos investigados já havia sido denunciada anteriormente e aguarda julgamento pelo Tribunal do Júri.
Em Rondonópolis, o caso provocou forte repercussão nos meios empresariais e políticos devido ao fato de Aníbal Laurindo ser uma figura conhecida na cidade há anos. Nos bastidores, a denúncia apresentada pelo Ministério Público elevou ainda mais a gravidade de um caso que já vinha sendo tratado como um dos episódios criminais mais explosivos da história recente de Mato Grosso.
O processo segue sob segredo de Justiça, embora o Ministério Público tenha solicitado o levantamento parcial do sigilo.





