Pivetta mantém meta de 60 mil moradias populares e garante execução mesmo com impasse no Fethab
Governador afirma que programa habitacional seguirá com financiamento via Caixa e subsídio estadual de até R$ 35 mil, com foco também em mulheres vítimas de violência Foto: Reprodução
O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) reafirmou que o planejamento de construção de 60 mil moradias populares em Mato Grosso será mantido, mesmo diante do congelamento do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab) e da não renovação do chamado Fethab 2. A declaração sinaliza uma tentativa clara de blindar uma das principais vitrines sociais do atual ciclo de gestão, mesmo em um cenário de incerteza sobre fontes tradicionais de financiamento.
Segundo Pivetta, o modelo adotado pelo Estado não sofrerá alterações estruturais. A estratégia passa pela manutenção do subsídio direto às famílias, combinado com financiamento habitacional junto à Caixa Econômica Federal, mecanismo já utilizado em programas anteriores. “Não muda, 60 mil casas. Nós vamos financiar na Caixa Econômica o subsídio que o Estado vai dar, até R$ 35 mil. Em alguns casos até pode ser um pouco mais, especialmente no apoio às mulheres, mulheres vítimas de violência e outras questões, exceções, mas as 60 mil casas estão mantidas e nós vamos fazer”, afirmou.
A fala do governador ocorre em um momento delicado para a política de habitação no Estado. O Fethab, historicamente utilizado como fonte relevante para investimentos em infraestrutura e habitação, enfrenta restrições, enquanto o Fethab 2 — criado com caráter complementar e temporário — não teve sua continuidade garantida. Esse cenário acende um alerta sobre a capacidade de financiamento de projetos de grande escala, especialmente aqueles voltados à população de baixa renda.
Mesmo assim, a manutenção da meta indica uma decisão política de priorizar o setor habitacional, que possui forte impacto social e eleitoral. O subsídio estadual, que pode chegar a R$ 35 mil por unidade, funciona como uma alavanca para viabilizar o acesso ao crédito, reduzindo o valor financiado pelas famílias e ampliando o alcance do programa. A previsão de valores maiores em casos específicos, como o de mulheres vítimas de violência, também aponta para um recorte social dentro da política pública.
Nos bastidores, a leitura é de que o governo aposta na combinação entre recursos próprios, ajustes orçamentários e parcerias com o sistema financeiro para manter o programa de pé, mesmo com a perda de fôlego de fundos tradicionais. A decisão também dialoga com uma estratégia de continuidade administrativa após a transição de comando no Executivo estadual, mantendo projetos estruturantes como marca de gestão.
A execução efetiva das 60 mil unidades, no entanto, deve depender diretamente da capacidade do Estado em sustentar os subsídios ao longo dos próximos anos, além da adesão dos municípios e da demanda organizada das famílias. Em um cenário de pressão fiscal e rearranjo de receitas, o desafio deixa de ser apenas político e passa a ser, sobretudo, financeiro e operacional.






