Disputa na esquerda em MT aperta e coloca Júnior Mendonça e Zé do Pátio na briga direta por vaga na ALMT
Com Lúdio Cabral na dianteira e Barranco consolidado, terceira cadeira vira campo aberto e transforma disputa interna em jogo de força regional e recall político Foto: Montagem
A formação da chapa da federação entre PT, PV e PCdoB em Mato Grosso entra em uma fase mais clara e, ao mesmo tempo, mais competitiva. A projeção de duas vagas praticamente asseguradas e a possibilidade real de uma terceira cadeira colocam a disputa interna em um nível elevado, onde cada voto passa a ser decisivo e onde nomes com base consolidada podem crescer de forma silenciosa até a reta final.
No topo desse cenário está o deputado estadual Lúdio Cabral (PT), que entra mais uma vez como principal puxador de votos da federação. Médico sanitarista, com trajetória construída dentro da saúde pública, Lúdio já foi vereador por dois mandatos em Cuiabá, disputou a prefeitura da capital chegando ao segundo turno e também concorreu ao governo do estado. Hoje deputado estadual, reúne densidade eleitoral, presença política constante e capilaridade suficiente para ultrapassar a marca dos 50 mil votos, consolidando-se como a principal âncora da chapa.
Na sequência aparece o deputado estadual Valdir Barranco (PT), com perfil mais voltado ao interior e base histórica ligada à reforma agrária e aos movimentos sociais. Ex-prefeito de Nova Bandeirantes e com passagem pelo Incra, Barranco mantém um eleitorado fiel e organizado, o que o coloca com boas condições de disputar diretamente a segunda vaga, embora ainda dependa do desempenho global da federação para ampliar seu espaço.
Mas é na disputa pela possível terceira cadeira e até mesmo pela segunda, dependendo do comportamento do eleitorado que o jogo começa a ganhar contornos mais imprevisíveis. É nesse ponto que entram dois nomes com características completamente diferentes, mas com potencial real de voto: o ex-prefeito de Rondonópolis, Zé do Pátio (PV), e o vereador Júnior Mendonça, também de Rondonópolis.
Zé do Pátio chega com o peso de quem já governou uma das principais cidades do estado e construiu uma trajetória política de décadas. Ex-deputado estadual e ex-prefeito por mais de um mandato, ele carrega um recall eleitoral forte e reconhecimento imediato do eleitorado. Por outro lado, também traz desgaste acumulado de suas gestões, o que torna sua candidatura uma incógnita: pode puxar votos relevantes ou enfrentar resistência significativa, especialmente fora de sua base tradicional.
Do outro lado está Júnior Mendonça, que representa um perfil mais técnico e crescente dentro da política local. Com dois mandatos consecutivos como vereador em Rondonópolis e passagem pela presidência da Câmara Municipal, ele construiu uma trajetória baseada na atuação legislativa e na articulação política. Esse tipo de perfil, muitas vezes subestimado em disputas estaduais, costuma surpreender quando consegue transformar base local em votação concentrada.
Na prática, Mendonça entra como aquele nome que pode crescer na curva final da eleição. Rondonópolis, por ser um dos maiores colégios eleitorais do estado, tem histórico de impulsionar candidaturas quando há organização e foco. Se conseguir consolidar sua base e ampliar seu alcance, ele pode se colocar diretamente na disputa pela vaga especialmente em um cenário onde a terceira cadeira depende da soma de votos da federação.
O que se desenha, portanto, é uma disputa interna em dois níveis: Lúdio praticamente isolado na liderança, Barranco brigando pela consolidação da segunda vaga e, logo atrás, um confronto direto entre experiência e renovação, representado por Zé do Pátio e Júnior Mendonça.
No fim, a matemática eleitoral é simples, mas o jogo político não é. A federação precisa performar bem para garantir três cadeiras. Se isso acontecer, a última vaga tende a ser decidida no detalhe e é justamente nesse detalhe que candidaturas regionais fortes, como a de Júnior Mendonça, podem mudar completamente o desenho final da Assembleia Legislativa em 2026.






