Taques erra na estratégia e aposta em nome desgastado ao filiar Percival Muniz ao PSB em Mato Grosso
Ex-prefeito de Rondonópolis acumula derrotas, assume alinhamento à esquerda e consolida isolamento político ao apoiar Lula Foto: Reprodução
A filiação do ex-prefeito de Rondonópolis Percival Muniz ao PSB, articulada pelo ex-governador Pedro Taques, está longe de representar um movimento de força política em Mato Grosso. Nos bastidores, a leitura é dura: trata-se de uma aposta equivocada, que expõe fragilidade na montagem de grupo e dificuldade evidente de renovação dentro do campo liderado por Taques.
Percival construiu, ao longo das últimas décadas, uma trajetória relevante. Foi deputado estadual, deputado federal constituinte e prefeito de Rondonópolis por três mandatos, consolidando, em determinado momento, protagonismo político no interior do estado. Mas esse capital político ficou no passado. Nos últimos anos, o ex-prefeito acumulou derrotas eleitorais, perdeu espaço em articulações importantes e viu sua influência minguar de forma progressiva.
O cenário de desgaste não é apenas eleitoral. Percival também passou por episódios judiciais que impactaram sua imagem pública, além de enfrentar resistências políticas dentro de grupos onde antes transitava com facilidade. O resultado foi um isolamento gradual, que hoje se consolida com clareza.
A guinada ideológica recente reforça esse quadro. Ao assumir alinhamento com a esquerda e apoiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última eleição, Percival rompeu definitivamente com a base conservadora que historicamente sustentou sua carreira em Mato Grosso. Em um estado onde o eleitorado majoritário mantém perfil de centro-direita, a decisão não ampliou espaço — ao contrário, reduziu ainda mais sua capacidade de articulação.
É justamente nesse contexto que Pedro Taques decide incorporá-lo ao PSB. A escolha, na prática, levanta questionamentos inevitáveis. Em vez de apostar em novos quadros ou lideranças em ascensão, o ex-governador recorre a um nome que perdeu competitividade e capacidade de mobilização, o que sinaliza mais dificuldade do que estratégia.
No ambiente político, onde leitura de cenário vale tanto quanto discurso, o movimento é visto como um erro. Ao trazer Percival para o centro do projeto, Taques passa a mensagem de que seu grupo carece de alternativas viáveis, optando por figuras que já não conseguem dialogar com o eleitorado de forma consistente.
O resultado é um movimento que, ao invés de fortalecer o PSB em Mato Grosso, tende a reforçar a percepção de um projeto desconectado do momento político atual. Percival, por sua vez, ao assumir de vez seu posicionamento ideológico e se afastar de antigas bases, consolida um processo de isolamento que já vinha se desenhando há anos — e que agora ganha contornos definitivos.





