Sistema ÁGILIBlue trava emissão de notas e expõe falhas graves na gestão fiscal de Rondonópolis
Plataforma usada pela Prefeitura apresenta erros recorrentes, campos obrigatórios ausentes e inconsistências no tratamento do ISSQN, gerando insegurança jurídica e prejuízo direto a empresas e profissionais da cidade. Foto: Reprodução
Desde a sua implantação como solução oficial da Prefeitura de Rondonópolis para a emissão da Nota Fiscal de Serviço Eletrônica (NFS-e), o sistema ÁGILIBlue tem colecionado falhas que mais atrapalham do que ajudam contribuintes e contadores. Embora adotado pelo município, a ferramenta tem se mostrado incapaz de oferecer o mínimo necessário para uma rotina fiscal estável e confiável.
Um dos problemas mais graves relatados nesta semana por usuários que emitem NFS-e todo dia está relacionado ao preenchimento de itens e à exigibilidade de ISSQN. Ao selecionar o item de serviço 99.01.01, que é justamente o código para serviço sem incidência de ISSQN e ICMS, e depois informar a Lista NBS 1.1704.20.00, que também representa serviço sem incidência, o sistema deveria automaticamente mostrar a opção “não incidência” na exigibilidade. Em vez disso, o campo simplesmente não aparece, ou surge em branco, ou o sistema trava. Trata-se de um erro grosseiro de lógica fiscal: o software ignora regras básicas e empurra o contribuinte para o risco de emitir uma nota incorreta, com possibilidade real de autuações, glosas e cobranças indevidas no futuro.
O problema não é novo. Todo começo de ano, quando há viradas de calendário fiscal e ajustes técnicos, o ÁGILIBlue volta a apresentar panes e instabilidades. Já houve períodos em que empresas ficaram quase um mês sem conseguir emitir notas fiscais em Rondonópolis, um absurdo para uma cidade que depende do setor de serviços para girar a economia e manter a arrecadação do ISSQN em dia.
Na prática, o sistema que deveria facilitar a vida de quem trabalha virou uma fonte permanente de insegurança. Contadores precisam refazer documentos, empresas ficam sem faturar e profissionais autônomos convivem com o medo de estarem irregulares por culpa de uma ferramenta oficial que não cumpre o básico.
O que agrava o quadro é a origem desse problema. O ÁGILIBlue foi contratado em 2024, ainda no final da gestão do ex-prefeito Zé do Pátio, em um processo que prometia modernizar a máquina pública, mas que, na prática, entregou um sistema problemático, mal testado e incapaz de suportar a rotina real do contribuinte. Ou seja, o pacote de falhas que hoje penaliza empresários e contadores nasceu de uma decisão tomada lá atrás, no apagar das luzes do governo do ex-prefeito, que deixou para Rondonópolis um legado digital marcado por improviso e baixa confiabilidade.
Desde então, os transtornos se repetem, sem que a Prefeitura consiga oferecer uma solução definitiva. Em vez de previsibilidade e eficiência, o município convive com um sistema que falha nos campos mais elementares, não respeita a própria lógica tributária e expõe quem paga imposto a riscos desnecessários.
Diante desse cenário, a cobrança é inevitável. Não é aceitável que uma cidade do porte de Rondonópolis mantenha um sistema de nota fiscal que trava, some com campos obrigatórios e ignora regras de incidência tributária. O empresariado local não pode continuar pagando a conta de um contrato mal feito e de uma plataforma que, em vez de modernizar, só atrapalha. A Prefeitura precisa dar uma resposta firme, porque cada dia de funcionamento precário do ÁGILIBlue significa prejuízo direto para quem produz, gera emprego e sustenta a economia do município.






