Flávio Bolsonaro foge para os Estados Unidos após derrota para Lula e em meio a investigações por lavagem de dinheiro e corrupção
Senador já teria chegado ao território americano, segundo aliado de Donald Trump. Saída do Brasil ocorreu após determinação do STF para entrega dos passaportes e levanta suspeitas de tentativa de escapar da Justiça brasileira. Foto: Reprodução
Derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de domingo (25), o senador Flávio Bolsonaro (PL) deixou o Brasil em direção aos Estados Unidos, em uma movimentação que reforça as suspeitas de fuga para escapar das investigações criminais que avançam contra ele no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo informações divulgadas nesta terça-feira (27), o filho mais velho de Jair Bolsonaro já teria chegado ao território americano, embora sua entrada no país ainda não tenha sido confirmada oficialmente.
A informação sobre a chegada foi divulgada pelo empresário mexicano Simón Levy, aliado do presidente americano Donald Trump. Ele afirmou que Flávio já estaria em segurança nos Estados Unidos e atribuiu ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, a articulação da operação. A participação de autoridades americanas, entretanto, ainda não foi comprovada.
A saída do Brasil foi confirmada por aliados do senador e por autoridades americanas ouvidas pela agência Reuters. O episódio ocorreu menos de 48 horas depois da derrota eleitoral e após o ministro Alexandre de Moraes determinar que Flávio entregasse seus passaportes à Polícia Federal e não deixasse o território nacional.
O prazo para entrega dos documentos terminou na manhã desta terça-feira sem que a determinação fosse cumprida. Diante do descumprimento, a Polícia Federal cancelou os passaportes comum e diplomático do senador e passou a investigar as circunstâncias de sua saída do país.
O que torna a situação ainda mais grave é o conjunto de investigações que envolvem Flávio Bolsonaro. O senador está sob suspeita em apurações relacionadas a lavagem de dinheiro, evasão de divisas e operações financeiras envolvendo empresários, empresas de apostas e recursos movimentados no exterior.
Uma das investigações envolve o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e operações financeiras relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro. A Polícia Federal apura movimentações milionárias, a origem dos recursos e possíveis irregularidades nas transações.
Outra frente envolve o advogado Willer Tomaz e empresas relacionadas ao setor de apostas esportivas e plataformas de pagamentos digitais. Documentos analisados pelos investigadores apontam registros que associam Flávio Bolsonaro ao acesso a contas empresariais, incluindo uma conta no exterior. A Polícia Federal investiga se essas estruturas foram utilizadas para operações de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
A existência de recursos e vínculos financeiros no exterior foi justamente um dos elementos considerados pelos investigadores ao apontar risco de fuga e solicitar medidas restritivas contra o senador.
DERROTA PARA LULA E RISCO JUDICIAL
A derrota presidencial agravou o cenário político de Flávio Bolsonaro. Caso tivesse vencido a eleição, assumiria a Presidência da República em janeiro de 2027, passando a contar com prerrogativas constitucionais específicas do cargo.
Com a vitória de Lula, o senador permanece sujeito ao andamento das investigações e terá seu mandato encerrado em 31 de janeiro de 2027, quando perderá as prerrogativas parlamentares vinculadas ao cargo.
A saída para os Estados Unidos, justamente nesse momento, fortalece a suspeita de que Flávio tenha decidido deixar o Brasil para evitar possíveis medidas judiciais decorrentes das investigações.
Na segunda-feira (26), o senador havia afirmado publicamente que não pretendia sair do país e que entregaria seus passaportes à Polícia Federal. Menos de 24 horas depois, o prazo judicial terminou sem o cumprimento da determinação, enquanto surgiam informações de que ele já estava fora do território brasileiro.
ROTA DA FUGA AINDA É INVESTIGADA
As primeiras informações apontavam que Flávio teria atravessado a fronteira com a Argentina, pela região de Foz do Iguaçu, no Paraná, seguindo para Puerto Iguazú, onde embarcaria em uma aeronave particular com destino aos Estados Unidos.
O governo argentino negou possuir registros oficiais de entrada do senador em seu território. A Polícia Federal brasileira também não encontrou registros de sua saída pelos postos regulares de imigração.
Apesar das dúvidas sobre a rota utilizada, autoridades americanas confirmaram à Reuters que Flávio deixou o Brasil e seguia para a Flórida. Posteriormente, Simón Levy afirmou que o senador já havia chegado aos Estados Unidos.
A Polícia Federal trabalha para esclarecer como o parlamentar conseguiu deixar o país, especialmente diante da proibição determinada pelo Supremo Tribunal Federal.
ESTADOS UNIDOS SE TORNAM REFÚGIO POLÍTICO DA FAMÍLIA BOLSONARO
A escolha dos Estados Unidos não surpreende. O país já abriga Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, que também enfrenta problemas judiciais no Brasil e mantém articulações com integrantes da direita americana.
A movimentação ocorre em um dos momentos mais difíceis da trajetória política da família Bolsonaro. Jair Bolsonaro foi condenado pela tentativa de golpe de Estado, Eduardo permanece nos Estados Unidos e Flávio acaba de sofrer uma derrota presidencial para Lula.
Agora, o filho mais velho do ex-presidente passa a enfrentar uma situação que ultrapassa o desgaste político. Sua saída do Brasil, após descumprir uma determinação do STF, poderá provocar novas medidas judiciais.
Embora ainda não exista confirmação de mandado de prisão contra Flávio Bolsonaro, o que impede classificá-lo formalmente como foragido, as circunstâncias de sua viagem apontam para uma possível tentativa de escapar do alcance imediato das autoridades brasileiras.
A derrota para Lula encerrou o projeto presidencial de Flávio Bolsonaro em 2026. A viagem aos Estados Unidos, em meio às investigações e ao descumprimento de uma ordem judicial, abre agora uma crise muito mais grave: a suspeita de que o senador tenha escolhido deixar o Brasil para não enfrentar a Justiça.





