Deputado americano cobra explicações de Trump sobre entrada de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos: “Perder eleição não é motivo para asilo”
Parlamentar democrata questiona decisão do governo americano de receber o senador brasileiro após derrota para Lula e exige esclarecimentos sobre possível participação de Washington em sua saída do Brasil Foto: Reprodução
A chegada do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos, após sua derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais de domingo (25), começou a provocar reações dentro do próprio Congresso americano. O deputado democrata Joaquin Castro, representante do Texas, cobrou nesta terça-feira (27) explicações do presidente Donald Trump sobre a decisão de conceder vistos ao parlamentar brasileiro e seus familiares, além de questionar uma possível participação do governo americano na saída de Flávio do Brasil, apesar de uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) que o proibia de deixar o território nacional.
A manifestação foi feita por Joaquin Castro em uma publicação na rede social X e divulgada pelo UOL. O parlamentar criticou a possibilidade de Flávio Bolsonaro receber proteção política nos Estados Unidos depois de perder a eleição presidencial brasileira. “Perder uma eleição não é motivo para asilo”, afirmou o congressista, numa referência às informações de que o senador poderia solicitar ao governo Trump autorização para permanecer em território americano.

A cobrança ocorre poucas horas depois de o Departamento de Estado dos Estados Unidos confirmar que concederá vistos a Flávio Bolsonaro e seus familiares, permitindo sua entrada no país. A informação foi divulgada pela CNN Brasil, que ouviu um alto funcionário do governo americano. A manifestação oficial, entretanto, não representa a concessão de asilo político, procedimento que depende de requisitos legais específicos e de análise pelas autoridades migratórias.
O deputado democrata também quer esclarecimentos sobre uma eventual participação de integrantes do governo Trump na saída de Flávio Bolsonaro do Brasil. O questionamento ganhou força depois que surgiram informações de que o senador teria deixado o território brasileiro mesmo estando submetido a uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, para entregar seus passaportes à Polícia Federal e não realizar viagens internacionais.
Segundo informações divulgadas pela agência Reuters, Flávio não entregou os documentos dentro do prazo estabelecido, levando a Polícia Federal a cancelar seus passaportes. Apesar da restrição, fontes próximas ao senador e integrantes do governo americano relataram à imprensa que ele conseguiu chegar aos Estados Unidos. Até o momento, não foram esclarecidas oficialmente as circunstâncias da viagem, a rota utilizada ou a forma como o parlamentar deixou o Brasil.
A situação se tornou ainda mais controversa porque, na segunda-feira (26), Flávio Bolsonaro havia declarado publicamente que não pretendia deixar o país e que cumpriria a determinação judicial. Entretanto, no dia seguinte, surgiram relatos de sua chegada ao território americano, enquanto aliados políticos no Brasil tentavam obter informações sobre seu paradeiro.
A decisão do governo Trump de receber Flávio Bolsonaro ocorre em um momento de tensão política entre setores do bolsonarismo e o Supremo Tribunal Federal. Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, encontra-se nos Estados Unidos e mantém contatos com integrantes do movimento político ligado ao presidente americano. Antes da confirmação da derrota eleitoral, Eduardo havia defendido publicamente que Flávio deixasse o Brasil caso perdesse a disputa presidencial para Lula.
No Brasil, a saída do senador também provocou reações. Os deputados federais Lindbergh Farias (PT-RJ) e Rogério Correia (PT-MG) apresentaram ao Supremo Tribunal Federal um pedido de prisão preventiva de Flávio Bolsonaro, argumentando que o descumprimento da determinação judicial e sua possível saída irregular do país demonstrariam risco de fuga. Os parlamentares também solicitaram providências para uma eventual inclusão do nome do senador na difusão vermelha da Interpol, caso a prisão seja decretada.
Até a última atualização, não havia confirmação de que Alexandre de Moraes tivesse determinado a prisão preventiva de Flávio ou de que existisse qualquer alerta internacional contra ele. Também não há comprovação pública de que o governo Trump tenha participado da organização de sua viagem ou de que as autoridades americanas tenham concedido asilo político ao senador.
A cobrança de Joaquin Castro acrescenta um novo componente à crise envolvendo Flávio Bolsonaro. O episódio, que começou com a derrota eleitoral e avançou para o descumprimento de uma determinação judicial brasileira, agora provoca questionamentos dentro do Congresso dos Estados Unidos sobre a atuação do governo Trump e os critérios utilizados para receber o parlamentar.
A manifestação do deputado democrata também indica que a eventual permanência de Flávio Bolsonaro em território americano poderá se transformar em um novo foco de disputa política em Washington, especialmente se autoridades brasileiras adotarem medidas judiciais adicionais contra o senador ou solicitarem cooperação internacional para sua localização e eventual retorno ao Brasil.





