Paixão sobre rodas e solidariedade: como o antigomobilismo transforma a história e a economia de Rondonópolis
Com um acervo de quase 300 veículos clássicos e toneladas de alimentos arrecadados, a Associação Rondonopolitana de Carros Antigos (ARCA) consolidou um movimento cultural que une nostalgia, filantropia e forte impacto econômico na região Foto: Reprodução
Muito além de um hobby ou do simples ato de colecionar relíquias mecânicas, o antigomobilismo consolidou-se no Brasil como um estilo de vida e um mercado bilionário, que movimenta cerca de R$ 32,6 bilhões por ano. Em Rondonópolis, essa paixão nacional ganhou forma, propósito e identidade com a trajetória da ARCA (Associação Rondonopolitana de Carros Antigos). Desde sua fundação, em abril de 2008, a entidade transforma o amor pelo restauro e pela conservação de veículos de época em um dos maiores motores de filantropia e movimentação econômica do sul de Mato Grosso.
Atualmente composta por 46 associados, que juntos preservam um acervo de aproximadamente 300 veículos antigos — entre carros, motos, caminhões e ônibus —, a ARCA nasceu com a missão de preservar o patrimônio histórico e cultural automobilístico. No entanto, foi por meio de suas grandes exposições públicas que a associação encontrou sua principal vocação social: utilizar a nostalgia para promover o bem-estar da comunidade.

Uma trajetória marcada pela solidariedade
A história das exposições promovidas pela ARCA é medida não apenas pelo brilho dos cromados, mas também pelo volume de ajuda destinado a quem mais precisa. O histórico dos eventos realizados pela associação demonstra crescimento contínuo e impacto direto na rede socioassistencial de Rondonópolis.
2018 (1ª Exposição): realizada no Rondon Plaza Shopping, reuniu mais de 10 mil visitantes e arrecadou 4,7 toneladas de alimentos, distribuídas entre entidades como o Lar dos Idosos Paul Percy Harris, Casa do Caminho e Casa Esperança.
2019 (2ª Exposição): o sucesso da primeira edição praticamente dobrou o público, alcançando 21 mil visitantes e quase 14 toneladas de alimentos arrecadados, destinadas integralmente a 11 instituições filantrópicas da cidade, entre elas o Lar Bezerra de Menezes, Maria do Sopão e o Centro Louis Braille.

Avanços institucionais: após a reorganização no período pós-pandemia, a ARCA conquistou projeção nacional em 2023 ao filiar-se à Federação Brasileira de Veículos Antigos (FBVA) e à FIVA, entidade internacional do segmento, tornando-se homologada para emitir a tradicional Placa Preta. O reconhecimento oficial foi ampliado em 2024 com a criação do Dia Municipal do Antigomobilismo (Lei nº 13.416) e, em 2025, com o reconhecimento da entidade como Utilidade Pública Municipal.
O motor da economia e o resgate da identidade cultural
O impacto de uma exposição de carros antigos vai muito além dos portões do evento. A presença de colecionadores, expositores, turistas e famílias de diversas cidades gera um efeito multiplicador na economia de Rondonópolis, impulsionando a ocupação da rede hoteleira, aumentando o movimento em restaurantes, postos de combustíveis, bares, lojas e demais estabelecimentos comerciais.
A médio e longo prazo, o antigomobilismo também fortalece o mercado de restauração de veículos, funilaria, pintura especializada, comércio de autopeças e acessórios, além de gerar oportunidades de trabalho temporário e dar visibilidade a artistas, artesãos e à gastronomia regional.
Com uma estrutura sólida, formada por uma diretoria voluntária e colecionadores apaixonados, a ARCA demonstra que um veículo antigo é muito mais do que uma peça de coleção. É uma verdadeira máquina do tempo, capaz de preservar a história, impulsionar a economia, fortalecer a cultura e estimular a solidariedade. O legado construído pela associação comprova que, quando os rondonopolitanos se unem em torno de uma paixão, o destino final é sempre o bem coletivo.






