• 3 de junho de 2026
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POLÍTICA

Pivetta assume o governo, mas segue sem decolar nas pesquisas; Wellington amplia vantagem e pressão nos bastidores aumenta

Levantamento do Real Time Big Data mostra Wellington Fagundes na liderança da disputa ao Governo de Mato Grosso, enquanto Otaviano Pivetta permanece distante da ponta mesmo após assumir o comando do Palácio Paiaguás
Foto: Redes sociais

A expectativa de parte do grupo governista era que a chegada de Otaviano Pivetta (Republicanos) ao comando do Governo de Mato Grosso produziria um efeito imediato nas pesquisas eleitorais para 2026. A lógica parecia simples: com a máquina estadual nas mãos, maior exposição institucional e agenda diária de entregas, o vice-governador transformado em governador teria condições de consolidar sua candidatura e reduzir rapidamente a distância para os adversários. Até agora, porém, os números mostram um cenário diferente.

Pesquisa do instituto Real Time Big Data divulgada nesta semana aponta o senador Wellington Fagundes (PL) na liderança da corrida ao Palácio Paiaguás com 35% das intenções de voto no cenário estimulado divulgado pelo UOL. Na sequência aparecem Jayme Campos (União Brasil), com 23%, e Otaviano Pivetta, com 19%. Natasha Slhessarenko soma 10%, enquanto os demais nomes aparecem com índices menores.  

Os dados reforçam uma percepção que vem ganhando força nos bastidores políticos de Cuiabá: a transferência de protagonismo institucional para Pivetta ainda não se converteu em capital eleitoral suficiente para colocá-lo na condição de favorito. Pelo contrário. A distância para Wellington continua significativa e, em alguns cenários, chega a dois dígitos.  

O levantamento do Real Time Big Data está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número MT-06241/2026. A pesquisa ouviu 1.600 eleitores entre os dias 21 e 23 de março, por meio de entrevistas presenciais, possui margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%.  

Além da liderança no primeiro turno, Wellington também aparece em vantagem nas simulações de segundo turno. Em um confronto direto contra Pivetta, o senador registra 47% contra 29% do atual governador.  

Nos corredores do poder, a leitura política é que o tempo passou a trabalhar contra o governador. Quando assumiu o comando do Estado, havia expectativa de um crescimento acelerado impulsionado pela visibilidade do cargo. O movimento, entretanto, não aconteceu na velocidade imaginada pelos aliados. Enquanto Wellington mantém uma posição confortável e evita se expor excessivamente ao debate político diário, Pivetta continua sendo obrigado a responder perguntas sobre sua viabilidade eleitoral.

O problema para o governador não é apenas a distância nas pesquisas. O que preocupa interlocutores é a narrativa que começa a se consolidar. Em política, quando um candidato não cresce após receber mais estrutura, mais exposição e mais poder, surgem questionamentos internos sobre sua capacidade de se tornar competitivo. E é justamente esse debate que passou a ganhar intensidade nos últimos dias.

Prefeitos, lideranças regionais e dirigentes partidários observam atentamente o comportamento dos números. Muitos mantêm relação institucional próxima ao governo, recebem investimentos e participam de agendas oficiais, mas evitam manifestações públicas mais enfáticas em defesa de uma candidatura. O cenário tem sido interpretado por analistas como um sinal de cautela diante da indefinição do quadro eleitoral.

Outro dado que chama atenção é que a disputa ainda está longe de ser considerada decidida. O próprio Real Time Big Data registra níveis relevantes de indecisão em diferentes cenários, demonstrando que o eleitorado mato-grossense ainda não consolidou completamente suas escolhas para 2026.  

Mesmo assim, o retrato atual favorece Wellington Fagundes. Enquanto o senador lidera as pesquisas e navega em ambiente relativamente confortável, Otaviano Pivetta enfrenta o desafio de provar que a força administrativa do governo pode se transformar em força eleitoral. E quanto mais o tempo passa sem uma reação consistente nos levantamentos, maior tende a ficar a pressão interna sobre sua pré-candidatura.

Nos bastidores da política mato-grossense, a temperatura já começou a subir. E a chamada “fritura” que aliados e adversários comentam reservadamente há algumas semanas tende a ganhar novos capítulos caso os próximos levantamentos confirmem a mesma tendência observada até agora. Afinal, para quem assumiu o governo com a expectativa de decolar, permanecer estacionado nas pesquisas pode se transformar no principal problema político do ano.

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