Prefeito Sérgio Machnic “conta vantagem”, cria crise política, mas PSF estava aberto no sábado e fazia parte do programa Vira Saúde
Prefeito acabou criando desgaste desnecessário ao relatar atendimento a integrante da equipe do Trio Parada Dura, embora própria Prefeitura já tivesse informado oficialmente à imprensa sobre funcionamento das unidades de saúde no sábado Foto: Reprodução
O prefeito Sérgio Machnic (PL) acabou transformando um atendimento de saúde realizado no último sábado em mais um episódio de desgaste político para sua administração em Primavera do Leste. E o problema, desta vez, não foi exatamente o atendimento prestado, mas a maneira como o caso foi narrado pelo próprio chefe do Executivo.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Sérgio relatou que um integrante da equipe do Trio Parada Dura enfrentava fortes dores de dente durante passagem pela cidade. Segundo o prefeito, o homem já vinha tentando resolver o problema em Minas Gerais, sem sucesso, e acabou recebendo atendimento em Primavera do Leste após mobilização da equipe de saúde.
“O cara estava lá com a cabeça baixa. Abriram o PSF, montaram uma equipe e resolveram o problema”, afirmou o prefeito no vídeo.
A fala rapidamente repercutiu no meio político local e abriu espaço para ataques da oposição, que passou a questionar a abertura da unidade de saúde no sábado. Em grupos políticos e nas redes sociais, adversários chegaram a levantar discursos sobre improbidade administrativa e até possíveis pedidos de cassação do prefeito.
Só que, no meio da repercussão política, um detalhe importante acabou sendo ignorado por muita gente.
As unidades de saúde realmente estavam funcionando no sábado. Mas não de forma improvisada ou clandestina, como parte da oposição tentou insinuar após a divulgação do vídeo.
A própria Prefeitura de Primavera do Leste já havia informado oficialmente à imprensa, horas antes da repercussão do caso, que as unidades estariam abertas dentro da programação do Vira Saúde, programa lançado pela gestão municipal para ampliar atendimentos e acelerar mutirões na rede pública.
A informação foi divulgada no grupo oficial de imprensa da Prefeitura — espaço onde apenas a comunicação oficial da administração municipal realiza postagens. Inclusive, a própria matéria enviada no sábado detalhava os atendimentos extraordinários realizados nas unidades de saúde durante o fim de semana.
Trouxemos o print da divulgação oficial encaminhada pela própria Prefeitura no grupo da imprensa, comprovando que os atendimentos já estavam programados anteriormente.

Ou seja: a estrutura da saúde municipal já estava aberta e funcionando oficialmente naquele sábado.
Nos bastidores políticos, inclusive entre aliados, a avaliação é de que o principal erro do prefeito foi a forma como decidiu relatar o episódio. Ao tentar demonstrar sensibilidade e eficiência da equipe, Sérgio acabou passando a impressão de que teria determinado a abertura de uma unidade pública exclusivamente para atender uma pessoa ligada a uma banda conhecida nacionalmente.
E, em um ambiente político já marcado por desgaste administrativo e críticas constantes à gestão, a declaração virou combustível imediato para adversários.
A repercussão do vídeo também escancarou uma dificuldade que acompanha a administração desde os primeiros meses de governo: a comunicação política.
Aliados admitem reservadamente que Sérgio Machnic tem perfil trabalhador, discreto e até tímido em muitos momentos, mas que frequentemente se complica quando resolve improvisar diante das câmeras e falar de maneira espontânea ao microfone.
Foi exatamente essa percepção que ganhou força após a publicação do vídeo.
Na prática, o município possuía respaldo para manter as unidades abertas naquele sábado dentro do programa Vira Saúde. O desgaste surgiu da narrativa criada pelo próprio prefeito ao relatar o caso de forma improvisada e emocional.
Enquanto isso, o Vira Saúde segue sendo tratado pela administração municipal como uma das principais apostas da gestão para tentar reorganizar a saúde pública de Primavera do Leste. O programa prevê mutirões, ampliação da atenção básica, consultas, exames e redução das filas acumuladas nos últimos anos.
No fim, o episódio acabou retratando o atual cenário político da cidade: uma gestão sob pressão constante, uma oposição em permanente estado de ataque e um prefeito que, ao tentar demonstrar proximidade e boa vontade, acabou criando uma crise política que provavelmente poderia ter sido evitada.






