• 4 de maio de 2026
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POLÍTICA

Isolado, Wellington Fagundes enfrenta resistência de aliados e vê candidatura ao governo travar em Mato Grosso

Senador tenta construir palanque, mas esbarra na falta de apoio de prefeitos estratégicos e em ruídos políticos dentro do próprio campo da direita
Foto: Reprodução

O senador Wellington Fagundes (PL) enfrenta dificuldade crescente para viabilizar sua candidatura ao governo de Mato Grosso diante da resistência de lideranças políticas que, em tese, estariam no mesmo campo ideológico, mas que, na prática, não demonstram disposição de caminhar ao seu lado no projeto eleitoral.

Prefeitos de cidades-chave do estado já se posicionam de forma distante. Em Rondonópolis, Cláudio Ferreira (PL) não sinaliza apoio; em Cuiabá, o prefeito Abilio Brunini (PL) mantém postura semelhante; em Primavera do Leste, Sérgio Machnic (PL) também não entra na articulação; e em Várzea Grande, a prefeita Flávia Moretti (PL) segue no mesmo caminho. O cenário evidencia um isolamento político relevante justamente dentro da base que seria considerada natural para sustentar a candidatura.

A dificuldade não se limita ao campo municipal. No plano estadual, o deputado federal José Medeiros (PL), que se movimenta para disputar o Senado, também não demonstra alinhamento ao projeto de Fagundes. Nos bastidores, a leitura é de que a construção eleitoral do senador não conseguiu consolidar unidade nem mesmo dentro do próprio grupo político.

Outro ponto que amplia o ruído é a escolha de nomes para compor o entorno político. Fagundes tem dado espaço à nora, filiada ao MDB, partido que historicamente ocupa posição mais ao centro-esquerda no cenário nacional. A tentativa de projetá-la dentro de um discurso alinhado à direita gera desconforto entre lideranças e militância, que veem incoerência entre discurso e prática.

Nos bastidores, a percepção entre lideranças da direita é de que Wellington Fagundes não é enxergado como um representante legítimo desse campo ideológico. Essa leitura ajuda a explicar o distanciamento de nomes ligados ao bolsonarismo no estado e alimenta críticas recorrentes à sua posição política, frequentemente apontada como indefinida ou contraditória.

Esse movimento pesa ainda mais em um momento em que o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, busca manter identidade ideológica mais definida em Mato Grosso. A aproximação com figuras que não representam esse alinhamento direto acaba sendo interpretada como fragilidade na construção do projeto político.

Sem apoio consolidado nas principais cidades, com resistência interna e enfrentando disputas paralelas dentro do próprio campo, Wellington Fagundes entra em um cenário em que a viabilização da candidatura deixa de ser natural e passa a depender de uma rearticulação profunda. No ritmo atual, o projeto encontra mais obstáculos do que sustentação, o que coloca em dúvida a capacidade de se manter competitivo na disputa pelo governo do estado.