• 15 de abril de 2026
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POLÍTICA

Gilberto Cattani dispara contra proposta de Lula e diz que fim da escala 6 por 1 é “ataque direto à liberdade do trabalhador”

Deputado estadual de Mato Grosso critica intervenção do governo nas relações de trabalho e afirma que medida pode quebrar empresas e sufocar a economia
Foto: Reprodução

A tentativa do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de mexer nas regras da jornada de trabalho  incluindo o fim da escala seis por um  encontrou resistência imediata no Congresso Nacional e acendeu o alerta entre parlamentares de perfil mais conservador. O pedido de vista apresentado pela oposição travou o avanço da proposta e abriu espaço para uma reação mais dura, como a do deputado estadual Gilberto Cattani (PL), de Mato Grosso, que partiu para o confronto direto.

Sem rodeios, Cattani classificou o projeto como uma ameaça real ao funcionamento da economia brasileira e ao direito individual do trabalhador. “Esse projeto quebra o Brasil. Você vai ter que diminuir a carga de trabalho do cidadão e vai ter que manter o mesmo salário. Isso quebra qualquer instituição, qualquer empresa, que a única finalidade da empresa é dar lucro, senão ela nem existe”, afirmou.

A fala do parlamentar ecoa um sentimento cada vez mais presente entre setores produtivos e parte da população que vê com desconfiança o avanço de propostas que ampliam a intervenção do Estado na relação entre patrão e empregado. Para Cattani, o problema não está apenas na mudança da escala, mas no princípio por trás dela: a imposição.

“Eu sou totalmente contra qualquer tipo de escala, seja seis por um, três por dois ou qualquer outra. O cidadão tem que ser livre. Livre para trabalhar quanto quiser, para produzir, para ganhar mais e ter dignidade. O que estão tentando fazer é limitar essa liberdade”, declarou.

Na avaliação do deputado, a proposta cria um cenário onde o próprio trabalhador perde autonomia sobre sua renda. “Se você reduz a escala, você está obrigando o cara a trabalhar menos. E se ele quiser trabalhar mais para ganhar mais? Não pode. Isso não é proteção, isso é controle”, criticou.

O discurso de Cattani vai além da pauta trabalhista e entra no campo ideológico, ao apontar o que considera uma inversão de valores no país. “O Brasil está de cabeça para baixo. Em vez de incentivar quem quer produzir, trabalhar e crescer, o governo quer colocar amarras. Eu sou a favor da liberdade total. Cada um decide quanto quer trabalhar e quanto quer ganhar”, disse.

Em tom ainda mais incisivo, o parlamentar fez uma comparação provocativa ao sistema financeiro, ampliando o ataque ao que chama de modelo injusto. “A escravidão hoje não é a que contam nos livros. É quando você é obrigado a colocar seu dinheiro no FGTS, que rende quase nada, e depois pega emprestado pagando juros absurdos. Isso sim é um sistema que prende o trabalhador”, disparou.

O pedido de vista da oposição, que interrompeu temporariamente a tramitação do projeto, é visto como um primeiro movimento para barrar uma proposta que deve enfrentar forte resistência dentro e fora do Congresso. Nos bastidores, a leitura é clara: qualquer tentativa de mexer na jornada de trabalho sem diálogo amplo com o setor produtivo tende a gerar reação imediata.

A discussão promete escalar nas próximas semanas, com o tema sendo explorado não apenas no campo econômico, mas também no debate político e ideológico que já começa a ganhar força no país. Para nomes como Gilberto Cattani, a pauta deixou de ser apenas técnica e passou a simbolizar, na prática, um embate direto entre modelos de Estado um mais intervencionista e outro baseado na liberdade individual.