Eliane Xunakalo assume vaga na Assembleia de MT e leva representatividade inédita ao parlamento estadual
Suplente ocupa cadeira deixada por Lúdio Cabral e passa a representar diretamente os povos originários dentro do Legislativo Foto: Reprodução
A posse de Eliane Xunakalo na Assembleia Legislativa de Mato Grosso inaugura um momento histórico na política estadual. Pela primeira vez, uma mulher de origem indígena passa a exercer o mandato de deputada estadual, ocupando a vaga aberta com o afastamento de Lúdio Cabral (PT).
A movimentação ocorre dentro da regra do sistema proporcional, que permite a convocação de suplentes em caso de afastamento do titular. Mas, neste caso, o gesto ultrapassa o aspecto técnico e ganha dimensão política relevante ao inserir, de forma direta, uma nova representação dentro do parlamento.
Eliane chega ao cargo respaldada pelos votos obtidos na eleição e passa a ter, ainda que temporariamente, a prerrogativa de atuar plenamente como deputada: apresentar projetos de lei, protocolar indicações, convocar audiências públicas e participar das discussões que impactam diretamente o estado.
A presença da nova parlamentar amplia o alcance da Assembleia Legislativa ao incorporar pautas que historicamente tiveram pouca presença no plenário. Questões ligadas às comunidades originárias, desenvolvimento regional, direitos sociais e políticas públicas específicas tendem a ganhar mais espaço no debate político a partir de agora.
O presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi (Podemos), destacou o momento como um avanço importante dentro da história da Casa. “Estou muito feliz, por alguns motivos. Primeiro, 190 anos de história da Assembleia Legislativa, primeira vez que nós temos a oportunidade de uma indígena assumir”, afirmou.
Ele também ressaltou a importância da alternância entre titulares e suplentes como mecanismo de fortalecimento da democracia. “Essa alternância, essa oportunidade das suplências assumirem é muito bom. Porque se dá a oportunidade, no caso específico aqui, de uma indígena ser deputada estadual, representar aqueles votos que ela teve, que ajudou a eleger os deputados estaduais naquela eleição”, pontuou.
Russi ainda trouxe à tona o funcionamento do sistema eleitoral proporcional, lembrando que a maioria dos parlamentares depende da composição da legenda para alcançar o mandato. “Na última eleição somente eu e a deputada Janaína alcançamos os votos sem precisar da legenda partidária. Os outros 22 deputados precisaram da legenda, dos votos dos outros deputados para completar a legenda e eleger a vaga de deputado”, explicou.
Ao final, o presidente avaliou como acertada a decisão de Lúdio Cabral de se afastar para abrir espaço à suplente, entendendo que o gesto contribui para ampliar a representatividade dentro do Legislativo.
A chegada de Eliane Xunakalo projeta um novo cenário dentro da Assembleia Legislativa, ainda que temporário. Mais do que ocupar uma cadeira, ela passa a representar diretamente uma parcela da população que, historicamente, esteve distante dos espaços formais de poder e agora encontra, mesmo que por um período limitado, voz ativa dentro do parlamento estadual.





