Nininho articula inclusão da piscicultura no MT Produtivo para ampliar produção em Mato Grosso
Proposta busca estruturar cadeia produtiva do peixe, reduzir dependência externa e gerar renda no campo Foto: Assesoria
A piscicultura entrou na pauta estratégica do Projeto Mato Grosso Produtivo após reunião realizada nesta segunda-feira (13/4), em Cuiabá, reunindo os deputados estaduais Ondanir Bortolini – Nininho (Republicanos) e Eduardo Botelho, representantes do Governo do Estado, Banco Mundial e lideranças do setor. O objetivo é viabilizar a inclusão da atividade no programa e criar condições para ampliar a produção local de pescado, hoje insuficiente para atender o consumo interno.
No evento, Nininho enfatizou que, mesmo com condições naturais favoráveis para a piscicultura, Mato Grosso ainda depende majoritariamente de outros estados para abastecimento. “Temos um cenário que expõe a necessidade de reorganização da cadeia produtiva, marcada por baixa integração entre os elos e dificuldades enfrentadas principalmente por pequenos produtores”, relata o deputado.
CADEIA DESARTICULADA
Levantamentos apresentados durante o encontro mostram que a piscicultura mato-grossense é composta, em sua maioria, por empreendimentos de pequeno porte. A atividade movimenta centenas de milhões de reais por ano, mas enfrenta entraves como baixa regularização, dificuldade de acesso a insumos e pouca previsibilidade de mercado.
Para Nininho, a falta de coordenação entre produção, processamento e comercialização contribui para oscilações frequentes. “Em alguns momentos há excesso de oferta, enquanto em outros o mercado registra escassez, o que mantém a dependência de pescado vindo de fora”, avalia o parlamentar.
DEFESA DO COOPERATIVISMO
Nininho defende a adoção de um modelo baseado na organização coletiva como caminho para o fortalecimento da piscicultura em Mato Grosso. “Esse modelo precisa ser baseado em cooperativas bem estruturadas e profissionalizadas. O pequeno produtor precisa de suporte técnico, acesso a insumos e mercado. Quando há organização, como vemos em outros setores, o resultado aparece”, afirma.
Segundo o parlamentar, experiências já consolidadas em Mato Grosso demonstram que o cooperativismo pode impulsionar a produção e garantir inclusão econômica, citando como exemplo a Cooperativa dos Aquicultores do Portal da Amazônia (Cooperpam), de Alta Floresta, e Cooperativa dos Produtores de Leite de Campinápolis (Campileite).
A avaliação de Nininho é de que a piscicultura tem potencial para seguir o mesmo caminho, desde que haja planejamento, disponibilidade de recursos e apoio técnico.
A proposta em discussão envolve a estruturação completa da cadeia, com integração entre produção de alevinos, fabricação de ração, processamento e logística. A meta é garantir escala, reduzir custos e dar mais estabilidade ao produtor.
PLANEJAMENTO
Uma das medidas apresentadas durante a reunião foi a criação de um plano diretor específico para a piscicultura, com organização da produção por regiões e definição de modelos adequados à realidade local. A iniciativa busca orientar o crescimento do setor de forma sustentável e com maior eficiência.
Representantes do Banco Mundial indicaram que a entrada da piscicultura no programa depende de análises técnicas mais detalhadas, que permitam mapear gargalos e avaliar a viabilidade econômica da cadeia. Embora os recursos do MT Produtivo já estejam definidos, há possibilidade de inclusão do segmento em etapas futuras.
A movimentação política e técnica em torno do tema sinaliza uma tentativa de reposicionar a piscicultura como vetor de desenvolvimento regional. Caso avance, a proposta pode ampliar a produção local, reduzir a dependência externa e fortalecer a agricultura familiar em Mato Grosso.






