• 14 de abril de 2026
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POLÍCIA

Professor Jofran publica carta na tarde desta segunda-feira após tragédia com filho em Rondonópolis

Docente da UFR pede perdão publicamente após esquecer criança dentro do carro no campus da universidade; texto comove e repercute em toda a cidade
Foto: Reprodução

A dor de uma das tragédias mais marcantes dos últimos dias em Rondonópolis ganhou um novo e impactante capítulo na tarde desta segunda-feira. O professor Jofran, docente da Universidade Federal de Rondonópolis, publicou uma carta aberta nas redes sociais direcionada ao filho, Levi José Trindade e Oliveira, que morreu após ser esquecido dentro do carro pelo próprio pai.

O caso ocorreu nas dependências do campus da universidade, onde o professor trabalha. Segundo as informações apuradas, Jofran saiu de casa com o filho no veículo, mas, em meio à rotina diária e compromissos profissionais, acabou seguindo diretamente para o trabalho e deixando a criança no interior do carro, estacionado na instituição. O menino permaneceu no veículo por horas, exposto ao calor, até ser encontrado já sem vida. A tragédia mobilizou equipes de socorro e causou forte impacto na comunidade acadêmica e em toda a cidade.

Foi diante desse cenário que o professor decidiu tornar pública a carta, que rapidamente se espalhou e provocou comoção. Sem tentar suavizar o ocorrido, Jofran assume de forma direta a responsabilidade pela tragédia e constrói um relato marcado por dor profunda, culpa e um pedido de perdão que atravessa toda a mensagem.

“Preciso te pedir perdão. Já pedi perdão a Deus e àqueles que te amam. Como pude esquecer a minha vida naquele carro?”, escreveu. A frase, direta e devastadora, sintetiza o drama vivido desde o dia do ocorrido e escancara o peso emocional que o professor carrega.

Ao longo do texto, ele descreve o impacto imediato da perda. “Meu mundo explodiu, meu coração quebrou em mil pedaços, e eu perdi minha identidade”, relata, deixando evidente o colapso emocional após a morte do filho. Em outro trecho, afirma que levará essa dor “pelo resto da vida”.

A carta também percorre lembranças do cotidiano familiar, revelando como a ausência da criança passou a ocupar todos os espaços da casa. Jofran relata que ainda enxerga o filho “nos brinquedos espalhados, no shampoo, nas escovas de dentes, nos rabiscos nas paredes, na cama que ficou imensa sem você”. Em uma das passagens mais simbólicas, descreve o lar como um “museu em sua homenagem”.

O texto resgata ainda a relação afetiva do menino com a família, citando a mãe, a irmã — chamada por ele de “nainha” — e os avós, além de episódios simples que ganharam novo significado após a perda. A repetição da frase “esse amor transbordou em todos nós” aparece como uma tentativa de manter viva a memória do filho diante da dor irreversível.

Outro ponto marcante é a dimensão espiritual do relato. O professor afirma que tem buscado sustentação na fé e no acolhimento recebido de amigos, familiares e da comunidade. “Vemos a presença de Deus em muitos detalhes, e isso tem nos mantido de pé, mesmo diante da tormenta”, escreveu.

A carta se encerra como uma despedida marcada por dor e esperança. “Fica com Deus, meu filhinho, e eu ficarei aqui aguardando pelo dia de te reencontrar no céu”, diz Jofran, assinando como “seu eterno papaizito”.

A publicação teve grande repercussão nas redes sociais, reunindo milhares de manifestações de solidariedade. Ao mesmo tempo, reacende um debate delicado sobre falhas humanas, rotina e lapsos de memória em situações raras, mas já registradas em outros casos semelhantes no país.

Em Rondonópolis, a cidade ainda tenta assimilar o ocorrido. Agora, além da tragédia, acompanha o desabafo de um pai que, publicamente, assume o erro, expõe sua dor sem filtros e tenta seguir em frente diante de uma perda impossível de mensurar.