Nininho afirma que incorporação ampliará investimentos e serviços em Nova Poxoréu e Nova Cotriguaçu
Deputado avalia que aproximação administrativa de Nova Poxoréu com Primavera do Leste e das Ilhas de Ocupação com Cotriguaçu pode favorecer investimentos, infraestrutura e atendimento à população Foto: Reprodução
A incorporação de Nova Poxoréu a Primavera do Leste e das Ilhas de Ocupação do Projeto de Assentamento Nova Cotriguaçu a Cotriguaçu pode produzir efeitos econômicos e sociais além da redefinição das divisas municipais. O deputado estadual Ondanir Bortolini – Nininho (Republicanos) avalia que a adequação territorial tende a aproximar a administração pública de comunidades que já mantêm relação cotidiana com os municípios receptores e pode ampliar as condições para investimentos em infraestrutura, produção e serviços.
Presidente da Comissão de Revisão Territorial da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Nininho prevê que o impacto mais importante estará na organização da vida das pessoas e na capacidade de planejamento dos municípios. A definição sobre quem administra cada território interfere diretamente em estradas, transporte escolar, saúde, educação, assistência aos produtores e outros investimentos públicos.
“Quando a população mora perto de uma cidade, trabalha nela, compra nela, procura atendimento médico e coloca os filhos para estudar ali, existe uma integração que já acontece na prática. O que estamos discutindo é como fazer a divisão territorial acompanhar essa realidade e permitir que o poder público planeje melhor os serviços e os investimentos”, comenta Nininho.
NOVA POXORÉU
A situação de Nova Poxoréu é o exemplo mais evidente dessa proximidade. Embora administrativamente ainda pertença a Poxoréu, a comunidade está localizada a cerca de seis quilômetros da área urbana de Primavera do Leste e aproximadamente 40 quilômetros da sede de Poxoréu. Moradores recorrem a Primavera para trabalhar, estudar, fazer compras e buscar diferentes serviços.
Essa integração ocorre com uma das economias agrícolas mais relevantes de Mato Grosso. Dados da Produção Agrícola Municipal do IBGE mostram que Primavera do Leste produziu, em 2025, cerca de 1,13 milhão de toneladas de soja e 1,54 milhão de toneladas de milho. Somadas, as duas culturas tiveram valor de produção superior a R$ 3,2 bilhões.
Consideradas as demais lavouras, o valor da produção agrícola do município chegou a aproximadamente R$ 4,2 bilhões.
Primavera do Leste também dispõe de uma estrutura significativa de recepção da produção. Dados baseados no cadastro da Companhia Nacional de Abastecimento apontam capacidade estática de armazenagem superior a 3,6 milhões de toneladas, volume maior que a própria produção municipal de grãos registrada em 2025.
Na avaliação de Nininho, a proximidade com essa estrutura econômica pode abrir novas possibilidades para propriedades e empreendimentos instalados na região de Nova Poxoréu. “O produtor que está a poucos quilômetros de Primavera já tem ali empresas de máquinas, insumos, armazenagem, assistência técnica, comércio e uma série de serviços ligados ao agronegócio. Uma organização territorial mais coerente pode facilitar o planejamento das estradas, dos acessos e dos serviços necessários para essa produção”, observa.
A integração física também está avançando. Em outubro, foi assinada a ordem de serviço para pavimentação de aproximadamente 5,9 quilômetros de vias de Nova Poxoréu, incluindo a ligação com a área urbana de Primavera do Leste. A obra, uma conquista das articulações de Nininho e contratada por R$ 8,46 milhões, prevê drenagem, terraplenagem, asfalto e sinalização. Os trabalhos já chegaram à fase de levantamentos topográficos e preparação da drenagem.
Para o deputado, a combinação entre proximidade geográfica e melhoria da infraestrutura tende a reduzir dificuldades enfrentadas nos deslocamentos diários. “Seis quilômetros separam Nova Poxoréu de Primavera. É uma distância muito pequena. Com acesso pavimentado e uma administração capaz de atender diretamente essa população, muda a condição de deslocamento para trabalhar, estudar, buscar saúde, transportar produção ou simplesmente resolver uma demanda do dia a dia”, ressalta Nininho.
NOVA COTRIGUAÇU
No noroeste de Mato Grosso, a reorganização das Ilhas de Ocupação do Projeto de Assentamento Nova Cotriguaçu apresenta outra realidade econômica. Cotriguaçu tem sua atividade produtiva baseada principalmente na pecuária de corte e leite, agricultura familiar, atividade madeireira e comércio. Documento oficial do próprio município aponta esses segmentos entre os pilares da economia local.
A pecuária dá uma dimensão desse perfil. Em 2025, Cotriguaçu registrou aproximadamente 417,5 mil bovinos, segundo dados da Pesquisa da Pecuária Municipal do IBGE. As áreas objeto da revisão territorial, embora formalmente pertencentes a Colniza, mantêm relação administrativa mais próxima com Cotriguaçu. Serviços de saúde, educação, transporte escolar, assistência social e manutenção de estradas e pontes já são prestados às famílias da região a partir do município vizinho.
É justamente nessa diferença entre o limite oficial e a dinâmica cotidiana que Nininho identifica espaço para ganhos sociais e econômicos. “Quem mora no assentamento não pode ficar pagando o preço de uma divisão territorial que não acompanha a realidade. Quanto menor a distância até o serviço público, menor também é o tempo gasto para resolver um problema, levar uma criança à escola, procurar atendimento ou buscar apoio para a propriedade”, explica.
RESPONSABILIDADES
Nininho também considera que uma definição permanente das responsabilidades administrativas pode melhorar o planejamento das estradas rurais, elemento particularmente importante em uma região dependente da pecuária e da agricultura familiar. “Produção rural depende de acesso. Não adianta produzir leite, criar gado ou trabalhar com agricultura se a estrada não permite transportar aquilo com regularidade. Quando fica definido de quem é a responsabilidade pela área, o município consegue colocar aquele território dentro do planejamento e trabalhar com uma visão de longo prazo”, acrescenta.
Na avaliação do parlamentar, o potencial econômico das mudanças deve ser medido principalmente pela capacidade de aproximar população, produção e poder público. “O desenvolvimento não acontece porque uma linha mudou de lugar no mapa. Ele acontece quando essa mudança permite organizar melhor a estrada, a escola, a saúde, o transporte e o atendimento ao produtor. É isso que pode gerar resultado econômico e, principalmente, melhorar a vida de quem mora nessas regiões”, acrescenta Nininho.






