Guilherme Maluf é afastado do TCE-MT em operação que prendeu Sérgio Ricardo em Cuiabá
Operação da Polícia Federal atinge a cúpula do Tribunal de Contas de Mato Grosso, com seis mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão; investigação apura suspeitas de corrupção e irregularidades em contratos públicos Foto: Reprodução
O conselheiro Guilherme Maluf foi afastado de suas funções no Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conforme informações sobre os desdobramentos da Operação Tomada de Contas, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (29), em Cuiabá. A ofensiva também resultou na prisão do presidente da Corte, Sérgio Ricardo de Almeida, e atingiu integrantes da estrutura administrativa e jurídica da instituição. A decisão específica de afastamento de Maluf ainda não foi disponibilizada nas fontes oficiais consultadas.
Ex-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Guilherme Maluf ocupa uma cadeira no TCE-MT desde 2019. Sua saída das funções, em meio à operação policial, amplia a crise institucional que atinge o órgão responsável pela fiscalização das contas públicas do estado e dos municípios.
Além de Sérgio Ricardo, foram identificados entre os seis alvos de prisão preventiva Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, consultor jurídico-geral do tribunal; Roseli Loss, secretária executiva; Adriangelo Barros Antunes, servidor da instituição; Felipe José Glinke, também identificado como servidor; e Gustavo Fernandes da Silva.
O conselheiro José Carlos Novelli também aparece entre os nomes mencionados nas primeiras reportagens sobre a operação. A Polícia Federal, entretanto, ainda não divulgou uma relação nominal completa dos conselheiros atingidos por medidas judiciais, o que impede confirmar quais outros integrantes da Corte foram afastados de suas funções.
A operação mobilizou mais de 180 policiais federais para cumprir seis mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. As medidas foram autorizadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e incluem quebra de sigilos e sequestro de bens.
Segundo a Polícia Federal, a investigação apura indícios de utilização da suspensão de contratos administrativos como mecanismo de pressão contra fornecedores, além de possível tratamento diferenciado na liberação de pagamentos. Também são investigadas divergências nos valores pagos a empresas, movimentações financeiras atípicas envolvendo servidores e saques recorrentes em dinheiro.
Os investigadores procuram esclarecer a origem e a destinação dos recursos movimentados, além de identificar possíveis beneficiários das operações financeiras. As suspeitas podem configurar crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
O episódio representa mais um capítulo de uma sequência de crises enfrentadas pelo Tribunal de Contas. Em setembro de 2017, durante a Operação Malebolge, cinco conselheiros foram afastados: Sérgio Ricardo, José Carlos Novelli, Antonio Joaquim, Waldir Teis e Valter Albano. Na ocasião, as investigações envolveram denúncias de supostos pagamentos de propina relacionados às obras da Copa do Mundo de 2014, apresentadas pelo ex-governador Silval Barbosa em colaboração premiada.
Os cinco conselheiros retornaram posteriormente às funções por decisões judiciais. A investigação de 2017, entretanto, é distinta da Operação Tomada de Contas, deflagrada nesta quinta-feira.
A nova ofensiva da Polícia Federal coloca novamente sob investigação a estrutura de uma instituição cuja principal atribuição constitucional é fiscalizar contratos, despesas, licitações e a aplicação dos recursos públicos.
A divulgação integral das decisões judiciais deverá esclarecer a extensão dos afastamentos, a participação individual dos investigados e a eventual existência de outros integrantes do Tribunal de Contas atingidos pelas medidas determinadas pelo STJ.






