Renan Dourado sobe o tom em Rondonópolis e acusa Alikson Reis e Ibrahim Zaher de manobra para aprovar projeto
Vereador denuncia inclusão de última hora de decreto legislativo em votação conjunta, afirma ter sido desrespeitado como vice-presidente da Comissão de Finanças e cobra explicações da Mesa Diretora Foto: Reprodução
O clima esquentou na Câmara Municipal de Rondonópolis nesta quarta-feira (28), após o vereador Renan Dourado (Republicanos) usar a tribuna para denunciar o que classificou como uma manobra articulada pelos vereadores Professor Alikson Reis e Ibrahim Zaher durante a votação do Decreto Legislativo 221/2026. A proposta, que derruba regras estabelecidas pela Prefeitura para a execução das emendas parlamentares impositivas, foi incluída de última hora na pauta e submetida à votação em bloco com outros projetos, sem que todos os integrantes da Comissão de Finanças e Orçamento tivessem conhecimento de sua apresentação.
Vice-presidente da comissão responsável pela proposta, Renan não escondeu a indignação ao revelar que o decreto foi protocolado em nome do colegiado sem qualquer comunicação prévia a ele ou à vereadora Kalynka Meirelles, que também integra a comissão. No documento, apresentado às 15h51 do próprio dia da sessão, consta apenas a assinatura do presidente, Professor Alikson Reis.
“Eu faço parte da comissão de finanças e orçamento e me senti desrespeitado de colocar uma emenda sem comunicar o vice-presidente da comissão”, afirmou Renan, deixando evidente o desconforto com a condução do processo legislativo.
A situação ganhou contornos ainda mais graves diante da forma como a matéria foi encaminhada ao plenário. Segundo Renan, ele havia consultado a pauta de votação em duas oportunidades e, em nenhuma delas, o decreto estava relacionado. A inclusão ocorreu pouco antes da deliberação, dentro de um conjunto de projetos submetidos à votação conjunta, procedimento que acabou sendo duramente questionado pelo parlamentar.
Renan também mencionou as manifestações dos vereadores Adonias e Wesley Cláudio, que utilizaram a tribuna para questionar a condução da votação. O episódio evidenciou o descontentamento de parte dos parlamentares com a falta de comunicação e transparência na tramitação de matérias que interferem diretamente nas prerrogativas do Legislativo.
O momento mais contundente do pronunciamento ocorreu quando Renan se dirigiu diretamente ao vereador Ibrahim Zaher, responsável por solicitar, no início da votação, a formação do bloco de projetos. Sem amenizar as palavras, o parlamentar insinuou que houve articulação entre Ibrahim e Alikson para inserir a proposta no meio das demais matérias.
“O que é isso, vereador Ibrahim? Eu vi você chamando o vereador Alikson, se colocando isso aí no sanduíche de vocês aí”, disparou.
A expressão utilizada por Renan, ao se referir a um verdadeiro “sanduíche” de projetos, sintetizou sua principal crítica: a inclusão de uma matéria relevante em meio a outras proposições, dificultando, segundo seu relato, a análise individualizada e o conhecimento prévio dos vereadores sobre aquilo que estavam votando.
A indignação aumentou quando Renan afirmou que a iniciativa colocou os demais parlamentares em uma situação de exposição desnecessária, especialmente por se tratar de uma proposta apresentada oficialmente em nome de uma comissão cujos integrantes não haviam sido consultados.
“Vocês numa manobra dessa fazer isso com nós e colocar, expor nós vereadores? Nunca expus vocês aqui. Agora vocês querem expor nós?”, questionou.
O vereador também direcionou críticas à Mesa Diretora da Câmara, cobrando explicações sobre os procedimentos adotados e colocando em dúvida a maneira como os trabalhos legislativos estavam sendo conduzidos.
“Tem que ver como é que essa mesa está jogando. Está jogando contra todos os vereadores? Nem colocar o nome da gente?”, cobrou.
O Decreto Legislativo 221/2026 trata de uma questão sensível na relação entre o Executivo e o Legislativo municipal: as regras para execução das emendas parlamentares impositivas, instrumento que permite aos vereadores destinar recursos do orçamento para ações e investimentos específicos. Justamente pela importância da matéria, a ausência de comunicação aos integrantes da comissão e sua inclusão na pauta momentos antes da votação ampliaram a reação dentro do plenário.
Mais do que uma divergência sobre o conteúdo do decreto, o pronunciamento de Renan Dourado expôs um conflito sobre a condução política e administrativa da Câmara de Rondonópolis. Ao acusar colegas de promoverem uma manobra e cobrar publicamente a Mesa Diretora, o vereador colocou em discussão a transparência dos procedimentos legislativos e o respeito às atribuições dos integrantes das comissões permanentes.
O episódio também levanta questionamentos sobre a utilização da votação em bloco para matérias de maior repercussão, especialmente quando apresentadas sem conhecimento prévio de parlamentares diretamente envolvidos em sua tramitação. As acusações feitas da tribuna por Renan Dourado colocam Alikson Reis, Ibrahim Zaher e a própria Mesa Diretora no centro de uma controvérsia que ultrapassa o decreto e atinge a relação de confiança entre os vereadores de Rondonópolis.






