• 14 de outubro de 2026
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ELEIÇÕES 2026

Casa 22 é inaugurada em Cuiabá e Odílio Balbinotti anuncia meta de ampliar votação de Flávio Bolsonaro para 75% em Mato Grosso

Coordenador estadual da campanha presidencial defende mobilização suprapartidária, comenta manutenção de programas sociais, articulações no Senado e admite que aliança do PL com o MDB provocou divisão interna no partido
Foto: Reprodução

A inauguração da Casa 22, realizada na terça-feira (13), em Cuiabá, marcou uma nova etapa da organização política da campanha do candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) em Mato Grosso. Instalado no mesmo endereço que abrigou a Casa 10, comitê utilizado durante a campanha vitoriosa de Otaviano Pivetta (Republicanos) ao Governo do Estado, o espaço passa a funcionar como centro de articulação das lideranças políticas e da militância que trabalham pela candidatura presidencial no segundo turno. Durante o evento, o empresário Odílio Balbinotti Filho, coordenador estadual da campanha e primeiro suplente do senador eleito José Medeiros, conversou com a imprensa e apresentou as principais estratégias para os últimos dias antes da votação marcada para 25 de outubro.

Balbinotti revelou que esteve reunido com Rogério Marinho, apontado por ele como coordenador nacional da campanha, para discutir as ações desenvolvidas em Mato Grosso. Segundo o empresário, as iniciativas adotadas no estado receberam uma avaliação positiva da coordenação nacional, que recomendou a continuidade do trabalho. O principal objetivo, conforme explicou, é ampliar a mobilização de prefeitos, parlamentares, dirigentes partidários e voluntários, especialmente diante da preocupação da campanha com a circulação de informações falsas sobre propostas atribuídas a Flávio Bolsonaro.

O coordenador acusou a campanha do presidente Lula de disseminar informações falsas sobre a eventual suspensão de programas sociais em um governo de Flávio Bolsonaro. A acusação foi apresentada por Balbinotti durante a entrevista, sem a apresentação de provas específicas que permitissem identificar a origem das publicações mencionadas. Ele afirmou que a orientação aos apoiadores é esclarecer a população sobre a posição do candidato em relação aos benefícios sociais e sustentou que programas como Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida seriam mantidos e aperfeiçoados, caso Flávio seja eleito. Segundo Balbinotti, o compromisso assumido pela candidatura é ampliar políticas de assistência e habitação, e não promover cortes.

A principal meta eleitoral anunciada pelo coordenador é elevar de aproximadamente 65% para 75% a votação de Flávio Bolsonaro em Mato Grosso no segundo turno. Balbinotti comparou o desafio ao estabelecimento de metas empresariais e afirmou que pretende intensificar o trabalho de mobilização em todas as regiões do estado. Para ele, o resultado depende da participação direta de lideranças municipais e da capacidade de manter os eleitores mobilizados até o dia da votação. O empresário também demonstrou preocupação com a abstenção, tradicionalmente observada em eleições de segundo turno, quando a ausência de disputas estaduais e proporcionais pode reduzir o envolvimento de parte do eleitorado.

A Casa 22 deverá reunir representantes de diferentes partidos que integram o grupo político de apoio à candidatura presidencial. Balbinotti destacou a participação de lideranças do Republicanos, Progressistas, União Brasil, PL e outras legendas, citando o governador Otaviano Pivetta, o senador eleito Mauro Mendes e o senador Wellington Fagundes entre os integrantes do movimento. Ele também afirmou ter convidado parlamentares do MDB, entre eles Dr. João, Léo e Thiago Silva, mas explicou que alguns não poderiam comparecer porque estariam em São Paulo para uma agenda partidária relacionada à definição de apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro.

Ao comentar as articulações nacionais, Balbinotti também abordou a proposta de mudança da escala de trabalho 6 por 1. Segundo ele, a orientação política discutida pela campanha é de apoio à alteração da jornada, diante da demanda popular pela ampliação dos períodos de descanso. O coordenador afirmou que Flávio Bolsonaro teria decidido orientar os parlamentares do PL a votar favoravelmente à mudança, embora tenha defendido que a proposta originalmente discutida pelo grupo seria mais abrangente. As declarações refletem a posição apresentada pelo empresário durante a entrevista e não substituem a confirmação dos encaminhamentos legislativos no Congresso Nacional.

Outro assunto abordado foi a disputa pela presidência do Senado Federal. Balbinotti apontou Rogério Marinho como um dos nomes considerados pelo grupo político para comandar a Casa e destacou sua atuação na organização da campanha presidencial. Segundo ele, Marinho possui prestígio junto a Flávio Bolsonaro e poderia ocupar diferentes posições em uma eventual administração federal, incluindo a Casa Civil. Questionado sobre a possibilidade de a senadora Tereza Cristina disputar a presidência do Senado, o empresário afirmou que ambos possuem experiência e condições políticas para construir um entendimento, sem anunciar qualquer decisão definitiva.

O coordenador também respondeu sobre especulações envolvendo uma possível indicação de seu nome para o Ministério da Agricultura. Balbinotti disse sentir-se honrado com a lembrança, mas ressaltou que a escolha de ministros caberia exclusivamente a Flávio Bolsonaro, caso seja eleito presidente. Evitou apresentar qualquer expectativa pessoal e afirmou que sua prioridade neste momento é a coordenação da campanha em Mato Grosso.

Balbinotti também comentou sua decisão de não disputar o Governo de Mato Grosso, possibilidade que chegou a ser discutida antes das eleições. Segundo ele, a desistência foi resultado de uma avaliação familiar e empresarial, sem arrependimento após a vitória de Pivetta. O empresário afirmou que pretende contribuir com o mandato de José Medeiros, principalmente em assuntos relacionados ao agronegócio e à atividade empresarial. Destacou ainda que a chapa recebeu quase um milhão de votos e que considera essa votação uma responsabilidade política a ser honrada.

Sobre o futuro do PL em Mato Grosso, Balbinotti evitou antecipar mudanças no comando estadual da legenda, atualmente presidida por Ananias Filho. Ele afirmou que qualquer discussão sobre a direção partidária deverá ocorrer depois do segundo turno, com a participação dos representantes eleitos e das principais lideranças. O coordenador lembrou que a organização do partido também precisará considerar as eleições municipais de 2028, mas negou a existência de articulações ou compromissos definidos para a presidência estadual.

Um dos momentos mais significativos da entrevista ocorreu quando Balbinotti reconheceu publicamente que a aproximação do PL com o MDB durante o processo eleitoral provocou uma divisão interna. Segundo ele, a entrada do MDB na composição política acabou gerando resistência entre integrantes do partido e não trouxe os resultados esperados para os envolvidos. O empresário classificou a decisão como um erro que deverá ser reavaliado pelas lideranças. Apesar das críticas à aliança anterior, destacou que o cenário nacional é diferente e afirmou considerar importante o apoio de representantes do MDB à candidatura de Flávio Bolsonaro no segundo turno.

Questionado sobre a ausência de Flávio Bolsonaro em um debate previsto pela Band, Balbinotti afirmou que considera os confrontos entre candidatos importantes para que a população conheça as propostas de governo. Ele também criticou a ausência do presidente Lula em debates do primeiro turno e defendeu que os eleitores tenham oportunidade de acompanhar diretamente a apresentação e o confronto de ideias dos postulantes à Presidência.

Ao final, o empresário descartou a existência de qualquer acordo antecipado para as eleições estaduais de 2030. Segundo Balbinotti, o grupo político que venceu a disputa em Mato Grosso está concentrado na conclusão do processo eleitoral deste ano e ainda não iniciou discussões sobre futuras candidaturas ao Governo do Estado. Ele afirmou estar satisfeito com os resultados obtidos nas eleições de 4 de outubro e defendeu que as lideranças eleitas trabalhem de maneira integrada nos próximos anos.

Com a transformação da Casa 10 em Casa 22, o grupo político que participou da campanha de Otaviano Pivetta passa a compartilhar uma estrutura voltada à disputa presidencial. A coordenação estadual pretende utilizar o espaço como referência para reuniões, organização de voluntários e articulação com lideranças municipais até o segundo turno. Para Balbinotti, o desafio agora é transformar o apoio recebido por Flávio Bolsonaro no primeiro turno, quando conquistou 65,15% dos votos válidos em Mato Grosso, em uma participação ainda maior nas urnas no próximo dia 25.

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