Suspeito de financiar plano para matar policiais em Primavera teria destinado R$ 200 mil para ataques
Apontado como liderança do Comando Vermelho, “Fumim” teria separado R$ 100 mil para estruturar a ação e outros R$ 100 mil para pagar executores; plano foi alvo da Operação Cerberus Foto: Reprodução
Reginaldo da Silva Pereira, conhecido como “Fumim” e apontado nas investigações como uma das lideranças do Comando Vermelho em Mato Grosso, teria destinado R$ 200 mil para financiar um plano de ataques contra integrantes das forças de segurança em Primavera do Leste. A informação consta no processo que levou o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) a manter a prisão preventiva do investigado.
O caso está relacionado à investigação que resultou na Operação Cerberus, deflagrada pela Polícia Civil em agosto deste ano e já acompanhada pelo NMT. Na ocasião, a Delegacia de Homicídios e Delitos Gerais de Primavera do Leste desarticulou um suposto plano para executar agentes de segurança no município.
Conforme os elementos apresentados no processo, “Fumim” teria disponibilizado ou prometido disponibilizar recursos financeiros para viabilizar os atentados. Dos R$ 200 mil citados na investigação, R$ 100 mil seriam destinados à estruturação da ação criminosa e aquisição dos meios necessários, enquanto outros R$ 100 mil seriam utilizados para remunerar os responsáveis pela execução dos ataques.
A prisão de Reginaldo foi mantida por unanimidade pela Segunda Câmara Criminal do TJMT durante julgamento realizado no dia 25 de setembro. O habeas corpus teve como relator o desembargador Antônio Horácio da Silva Neto.
OPERAÇÃO CERBERUS
A Operação Cerberus foi deflagrada no dia 26 de agosto, depois que a Polícia Civil identificou uma movimentação de integrantes de uma facção criminosa em Primavera do Leste.
Conforme mostrou o NMT na época, a investigação começou cerca de duas semanas antes da operação, após informações apontarem que integrantes da organização criminosa vindos de outra localidade estavam no município.
Inicialmente, a Polícia Civil apurava a possibilidade de uma disputa interna da própria facção. Com o avanço das diligências, porém, surgiram indícios de que o grupo estaria em Primavera do Leste para dar suporte à preparação de atentados contra integrantes das forças de segurança.
Em entrevista concedida ao NMT durante a operação, o delegado Eric Martins afirmou que o grupo já estaria em fase avançada de preparação.
As primeiras informações indicavam policiais militares como possíveis alvos, mas a investigação passou a considerar também ataques contra integrantes de outras instituições da segurança pública. Segundo a Polícia Civil, o plano envolvia atentados contra a vida dos agentes.
A investigação também identificou diferentes funções entre os envolvidos, incluindo possíveis mandantes, integrantes responsáveis pelo suporte operacional e pessoas ligadas ao financiamento. A apuração ainda apontou movimentações para obtenção de armamentos.
Na ocasião, a Polícia Civil informou que as ordens para os possíveis atentados teriam partido de integrantes da facção presos na Penitenciária Major Eldo Sá Corrêa, a Mata Grande, em Rondonópolis.
A Operação Cerberus cumpriu quatro mandados de prisão preventiva e quatro de busca e apreensão, expedidos pela 1ª Vara Criminal de Primavera do Leste. Três dos quatro alvos de prisão já haviam sido localizados até o momento da entrevista concedida pelo delegado no dia da operação.
DEFESA QUESTIONOU PRISÃO
No pedido de habeas corpus, a defesa de Reginaldo sustentou que a prisão estaria fundamentada em atos preparatórios e que os supostos atentados não chegaram a ser executados.
O argumento não foi acolhido pelo relator. O desembargador Antônio Horácio da Silva Neto destacou que a legislação prevê responsabilização em determinadas situações envolvendo a preparação de crimes contra agentes de segurança, ainda que a violência planejada não seja efetivamente concretizada.
Com isso, a Segunda Câmara Criminal decidiu manter a prisão preventiva.
Reginaldo permanece investigado e ainda não foi julgado pelos fatos. As informações constantes no processo representam acusações e elementos reunidos durante a investigação, não uma condenação definitiva.






