Após novo alagamento na BR-070, Prefeitura abre bacias de contenção e aguarda aval do DNIT para obra definitiva
Região do Distrito Industrial voltou a registrar transtornos após forte chuva; problema se arrasta desde abril e Município afirma que projeto estrutural precisou passar por ajustes exigidos pelo órgão federal Foto: Reprodução
Após a forte chuva registrada nesta quinta-feira (1º), que voltou a provocar alagamentos na região de empresas instaladas às margens da BR-070, em Primavera do Leste, a Prefeitura realizou uma coletiva de imprensa nesta sexta-feira (2) para explicar as causas do problema e apresentar as medidas emergenciais adotadas para tentar evitar novos transtornos durante o período chuvoso.
O problema não é novo. A mesma região sofreu um grave alagamento em abril deste ano, quando a força da água atingiu empresas, provocou prejuízos e chegou a romper um muro. Desde então, o Município trabalha em um projeto de drenagem para solucionar de forma definitiva o escoamento das águas provenientes principalmente do Distrito Industrial e da região da Fazenda 13 de Maio.
Durante a coletiva, o secretário municipal de Infraestrutura, Valfredo Rodrigues, informou que máquinas da Prefeitura já trabalham na abertura de três bacias de contenção em uma propriedade na região. Segundo ele, os proprietários da Fazenda 13 de Maio autorizaram a intervenção e novas estruturas poderão ser abertas caso seja necessário aumentar a capacidade de armazenamento da água.
A medida é emergencial e busca reduzir o volume de água que chega à parte mais baixa da região durante chuvas intensas.
“Nesse exato momento, o nosso maquinário está lá executando todas essas três bacias. Se houver necessidade de executar mais outras duas ou três bacias, já fomos autorizados”, afirmou Valfredo durante a coletiva.
Problema se arrasta desde abril
Em 17 de abril, uma forte chuva provocou um dos episódios mais graves registrados no local. Estabelecimentos instalados às margens da BR-070 foram invadidos pela água e empresários contabilizaram prejuízos. Na época, a Prefeitura realizou intervenções emergenciais e iniciou estudos para uma solução permanente.
Segundo Valfredo, mais de 90% do perímetro urbano de Primavera do Leste foi parcelado de maneira planejada, mas a região onde estão instaladas as empresas atingidas possui características diferentes e enfrenta dificuldades históricas relacionadas à drenagem.
Após o episódio de abril, equipes da Defesa Civil e das secretarias municipais de Infraestrutura e Meio Ambiente realizaram levantamentos na região. A Prefeitura também autorizou intervenções emergenciais com base no Decreto Municipal nº 2.658, de 24 de março de 2026, que declarou situação de emergência após os alagamentos registrados no município.
A administração contratou a elaboração de projetos para solucionar o problema. Entretanto, como parte da intervenção envolve a BR-070, uma rodovia federal, a execução depende de análise e autorização do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).
Projeto precisou ser alterado
De acordo com Valfredo, os técnicos calcularam a chamada bacia de contribuição, considerando o volume de água proveniente do Distrito Industrial e da Fazenda 13 de Maio.
O projeto foi encaminhado ao DNIT, mas, segundo o secretário, retornou ao Município para ajustes. O órgão federal não teria autorizado que todo o volume previsto fosse direcionado diretamente para a travessia sob a BR-070.
Com isso, a Prefeitura passou a trabalhar com uma alternativa que prevê justamente a construção de bacias de contenção. A água seria armazenada nessas estruturas e posteriormente liberada de maneira gradual para o sistema de drenagem.
“Não adianta a gente ir lá fazer uma obra emergencial sem engenharia presente, o que pode causar um grande desastre. Por isso fizemos esse planejamento e esse projeto”, declarou o secretário.
A Prefeitura não apresentou uma data para a execução da obra definitiva. Conforme Valfredo, o cronograma depende da conclusão dos ajustes e da aprovação dos profissionais do DNIT.
Empresários já cobravam solução
A demora para uma solução definitiva vinha provocando preocupação entre empresários instalados na região. Em setembro, com a proximidade do período de chuvas, proprietários voltaram a cobrar providências diante do risco de novos prejuízos.
O assunto também chegou à Câmara Municipal. No fim de setembro, vereadores aprovaram requerimento convocando representantes da Prefeitura para apresentar informações sobre projetos de drenagem, contratos, investimentos e prazos relacionados aos pontos de alagamento da cidade.
A chuva desta quinta-feira voltou a colocar o problema em evidência, pouco mais de cinco meses depois do episódio registrado em abril.
Durante a coletiva, a Prefeitura contestou, porém, que o novo episódio tenha ocorrido exatamente da mesma maneira. Valfredo afirmou que a água não teria entrado novamente na Carvalima pelo mesmo ponto e sustentou que o grande volume registrado em outra propriedade acabou ultrapassando estruturas existentes e atingindo a região por trás.
A dinâmica exata do novo alagamento ainda deverá ser confrontada com os registros feitos no local e os relatos dos empresários atingidos.
Prefeitura promete proteção para próximas chuvas
Questionado sobre o risco de novos alagamentos com a chegada do período chuvoso, Valfredo afirmou que as bacias em construção deverão aumentar a capacidade de retenção e reduzir o volume de água direcionado às empresas.
“As próximas chuvas não vão afetar, eu garanto, porque a gente está em execução dessas bacias de contenção”, declarou.
Além da região da BR-070, a Prefeitura informou que possui projetos para outros pontos historicamente atingidos por alagamentos em Primavera do Leste, incluindo áreas próximas ao Mota, Avenida Florianópolis e outros corredores urbanos.
O secretário de Governo, Daniel Russo, afirmou que existem diferentes projetos em elaboração e execução e que algumas intervenções dependem de autorizações de órgãos responsáveis pelas rodovias.
Enquanto a obra estrutural da BR-070 não recebe o aval necessário para avançar, a estratégia imediata da Prefeitura será ampliar as bacias de contenção e acompanhar o comportamento do sistema durante as próximas chuvas.






