POLÍCIA FEDERAL E STF: documentos da GoUp apontam R$ 20,9 milhões em gastos da produção do filme ‘Dark Horse’ sobre Jair Bolsonaro
Quebra de sigilo determinada pelo ministro André Mendonça revelou notas fiscais e transferências com hospedagem, perucas, figurino e logística usadas pela produção citada pela Polícia Federal no inquérito Foto: Assessoria
Documentos da empresa GoUp anexados ao inquérito relacionado ao chamado ‘caso Master’, cujo sigilo foi retirado por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça na sexta‑feira (11), mostram que a produção do filme Dark Horse — cinebiografia sobre o ex‑presidente Jair Bolsonaro — registrou despesas de R$ 20,9 milhões no Brasil, incluindo R$ 1.426.897,51 em hospedagem, R$ 518,5 mil em figurino e R$ 10 mil com o aluguel de uma peruca utilizada pelo ator Jim Caviezel, que interpreta Bolsonaro no longa. A Polícia Federal cita a produção como um dos elementos analisados para apurar a destinação de recursos envolvidos na investigação.
Os registros contêm notas fiscais e transferências com datas e descrições de estadia. Entre os comprovantes há pagamentos ao hotel Unique, em São Paulo: em 8 de dezembro de 2025 foi lançada uma transferência de R$ 107,5 mil descrita como a sexta e última parcela da hospedagem de Jim Caviezel, de seu agente Nathon Shayne Lewis, e de seguranças; em 30 de dezembro constou um desembolso de R$ 298,3 mil com descrição ligada à hospedagem do ator, gorjetas e serviços de massagem. Notas fiscais de 24 de novembro registram R$ 107,5 mil pela hospedagem de Nathon Shayne Lewis, James Patrick Caviezel e Richard Michael Dobrich entre 5 e 9 de novembro, outra de R$ 124,5 mil para o mesmo grupo entre 1º e 5 de novembro, e nota de 27 de novembro aponta R$ 107,5 mil pela permanência entre 9 e 13 de novembro — todas vinculadas ao “projeto TDH”, sigla associada ao filme.
Além desses lançamentos, os documentos mostram pagamentos específicos: em 28 de novembro de 2025 houve transferência de R$ 8,7 mil referente à hospedagem de Mark Giffen; duas parcelas de R$ 34.417,80 foram pagas nos dias 3 e 17 de novembro para a hospedagem de dois seguranças ligados à produção. Do total identificado em hotéis, R$ 733.913,20, cerca de 51%, foi atribuída exclusivamente à hospedagem de Jim Caviezel.
As despesas de caracterização e figurino também aparecem detalhadas. A GoUp registrou gasto de R$ 10 mil com o aluguel de uma peruca para Jim Caviezel, além de R$ 3 mil para a locação de apliques para outra personagem, R$ 5,5 mil na compra de perucas para um dublê e a aquisição de um kit de dreadlocks. O conjunto de despesas com figurino alcançou R$ 518,5 mil, distribuídos entre R$ 210 mil pagos à equipe responsável (em 26 pagamentos), R$ 157,5 mil na locação de peças e acervo, R$ 120 mil para transporte dos itens e R$ 30,9 mil para costura, bordado e lavanderia.
A logística da produção está igualmente registrada: 81 pagamentos relacionados a motoristas, vans e caminhões somam R$ 375,9 mil; foram identificados quatro pagamentos para aquisição de veículos totalizando R$ 402,7 mil; e 32 despesas com estacionamento alcançam R$ 14 mil. Segundo a própria relação de despesas, o montante de R$ 20,9 milhões abrange elenco, atores, figurantes, equipe técnica, produção executiva, equipamentos, figurino, logística, hospedagem, segurança, fornecedores e outros custos operacionais e indiretos.
Os documentos tornados públicos Pelo STF integram a apuração da Polícia Federal sobre o destino de recursos no inquérito. A divulgação dos detalhes financeiros permite ao inquérito confrontar notas fiscais, transferências e descrições contratuais com outras provas em análise, segundo as informações constantes dos autos. Redação NMT






