Pesquisas mostram Pátio e Júnior sem decolar e acendem alerta para esquerda em Rondonópolis
Enquanto Lúdio Cabral cresce de 1,9% para 3% e aparece entre os líderes da disputa estadual, Zé do Pátio e Júnior Mendonça seguem sem conseguir transformar expectativa política em intenção de voto Foto: Montagem NMT
Duas pesquisas de intenção de voto para deputado estadual divulgadas neste período eleitoral apontam um cenário difícil para a esquerda na região Sul de Mato Grosso. Enquanto o deputado estadual Lúdio Cabral (PT) aparece consolidado entre os principais nomes da disputa pela Assembleia Legislativa, o ex-prefeito de Rondonópolis Zé Carlos do Pátio (PV) e o vereador Júnior Mendonça (PT) ainda não conseguiram decolar, apesar da expectativa criada em torno das duas candidaturas.
O primeiro sinal apareceu na pesquisa MT Dados. No levantamento espontâneo, Lúdio liderava a corrida para deputado estadual com 1,9% das intenções de voto. Pátio, apesar de ter comandado Rondonópolis por três mandatos e já ter exercido mandato de deputado estadual, registrava apenas 0,2%. Júnior Mendonça aparecia ainda mais abaixo, com 0,1%. Outro nome do PT, o deputado estadual Valdir Barranco, tinha 0,4%.
A distância entre os candidatos já mostrava uma diferença significativa dentro do próprio campo da esquerda. Lúdio tinha dez vezes a intenção de voto registrada por Pátio e 19 vezes a de Júnior Mendonça naquele levantamento. Mesmo Barranco, com 0,4%, aparecia com o dobro do percentual do ex-prefeito de Rondonópolis e quatro vezes o índice registrado pelo vereador.
A pesquisa mais recente da Percent Brasil reforça esse cenário. Lúdio aparece agora com 3% das intenções de voto na modalidade espontânea e ocupa a segunda colocação geral em Mato Grosso, apenas 0,1 ponto percentual atrás do primeiro colocado, que registra 3,1%. Pátio e Júnior Mendonça, por outro lado, não aparecem entre os nomes com pelo menos 1% na relação divulgada pelo levantamento.
Os dois levantamentos, realizados por institutos diferentes, acabam mostrando uma situação semelhante para a esquerda de Rondonópolis neste momento da campanha. Existe um nome desse campo político altamente competitivo na disputa estadual, mas ele é Lúdio Cabral, cuja principal base eleitoral está em Cuiabá. Na região Sul, Pátio e Júnior ainda não conseguiram apresentar nas pesquisas um desempenho compatível com a expectativa criada em torno de suas candidaturas.
O caso de Pátio é o mais emblemático. O ex-prefeito deixou o comando de Rondonópolis no final de 2024 depois de completar seu terceiro mandato à frente da prefeitura, somando 12 anos no Executivo municipal. Também já passou pela Assembleia Legislativa e disputou sucessivas eleições ao longo de uma extensa carreira política. Era natural, diante desse histórico, que sua entrada na disputa por uma cadeira de deputado estadual fosse acompanhada pela expectativa de uma candidatura eleitoralmente forte.
Os números conhecidos até agora não confirmam essa expectativa. Na MT Dados, Pátio marcou 0,2%. Na Percent mais recente, não aparece entre os candidatos com 1% ou mais divulgados pelo instituto. Para um político que governou por três vezes uma das maiores cidades de Mato Grosso, a dificuldade de ganhar lembrança espontânea chama a atenção e indica que o capital político acumulado durante os anos de prefeitura ainda não foi transferido para a disputa estadual.
Júnior Mendonça também enfrenta dificuldades. Vereador em Rondonópolis, o petista entrou na eleição tentando ocupar espaço dentro do eleitorado de esquerda e ampliar sua atuação para além dos limites do município. Na MT Dados, entretanto, apareceu com apenas 0,1%, e na nova Percent também não figura entre os candidatos que alcançaram pelo menos 1% na relação publicada.
A situação ganha peso porque Rondonópolis foi durante muitos anos uma das principais bases eleitorais da centro-esquerda no interior de Mato Grosso. Pátio venceu três eleições para prefeito e construiu em torno de seu grupo uma estrutura política que teve forte influência na cidade. A derrota de seu grupo na eleição municipal de 2024 mudou esse cenário e colocou a esquerda diante do desafio de provar que ainda mantém força eleitoral suficiente para eleger representantes com base no município.
Até agora, as pesquisas mostram que essa reorganização ainda não produziu resultado expressivo na corrida pela Assembleia. Pátio carrega o peso de uma trajetória construída ao longo de décadas, enquanto Júnior tenta se apresentar como uma alternativa dentro do PT. Nenhum dos dois, porém, conseguiu neste momento ocupar posição de destaque nos levantamentos estaduais.
O contraste com Lúdio torna essa dificuldade ainda mais evidente porque impede que o desempenho seja explicado simplesmente por uma suposta rejeição do eleitor mato-grossense à esquerda. Na MT Dados, Lúdio liderou com 1,9%. Na Percent, chegou a 3% e aparece numericamente na segunda colocação. Há, portanto, eleitorado citando espontaneamente um candidato identificado com esse campo político. O problema mostrado pelas pesquisas está, neste momento, na capacidade das candidaturas de Rondonópolis de alcançar esse eleitor.
Também é preciso considerar que a disputa permanece aberta. Na MT Dados, 69,1% dos entrevistados estavam indecisos ou não souberam apontar espontaneamente um candidato. Na Percent, esse grupo caiu para 50,9%, ainda representando mais da metade do eleitorado pesquisado. Os números deixam uma parcela enorme de votos em disputa e permitem mudanças importantes até a eleição, mas também tornam cada nova rodada uma medida da capacidade dos candidatos de começarem a ser lembrados.
A MT Dados ouviu 1.500 eleitores presencialmente em 45 municípios de Mato Grosso. A pesquisa tem margem de erro de três pontos percentuais, nível de confiança de 95% e está registrada na Justiça Eleitoral sob o número MT-03773/2026.
Já a Percent Brasil ouviu 2.800 eleitores entre os dias 17 e 23 de agosto. O levantamento tem margem de erro de 1,85 ponto percentual, para mais ou para menos, nível de confiança de 95% e registro MT-03833/2026 na Justiça Eleitoral.
As duas pesquisas são espontâneas, modalidade em que o entrevistador não apresenta uma relação de candidatos. E, embora sejam levantamentos independentes, com amostras e metodologias próprias e que não devem ser tratados como uma série histórica direta, ambos apontam para a mesma dificuldade política na região Sul: Pátio e Júnior Mendonça começaram a campanha cercados de expectativa, mas ainda precisam transformar trajetória, estrutura e presença política em intenção de voto. Até agora, quem consegue fazer isso dentro da esquerda mato-grossense é Lúdio Cabral.





