Nelson Paim corre contra a matemática em chapa que já tem favoritos definidos
Ex-prefeito de Poxoréu tenta ampliar seu espaço político para chegar à Assembleia Legislativa, mas encontra uma disputa dominada por deputados com mandato e candidatos com bases eleitorais maiores. Foto: Reprodução
Nelson Paim chega à disputa pela Assembleia Legislativa carregando uma credencial que poucos podem apresentar: dois mandatos como prefeito de Poxoréu. A experiência administrativa e o reconhecimento político construído ao longo dos anos garantem ao ex-prefeito um espaço respeitável no debate regional. O problema é que eleições estaduais costumam cobrar muito mais do que prestígio local.
Poxoréu continua sendo sua principal base política. Foi ali que construiu sua trajetória, venceu eleições e consolidou seu grupo. Sua atuação pública também aparece ligada a Primavera do Leste e ao setor da aviação agrícola, atividade que exerceu profissionalmente durante anos. São espaços importantes, mas pequenos diante do tamanho do desafio que representa uma eleição para deputado estadual em Mato Grosso.
O PSDB montou uma das chapas mais competitivas da eleição. Carlos Avallone entra na campanha buscando a reeleição para a Assembleia Legislativa. Deputado estadual com mandato, presença consolidada junto ao agronegócio, à indústria e ao empresariado, Avallone aparece entre os nomes mais fortes da legenda e concentra boa parte das expectativas do partido.
Juca do Guaraná ocupa posição semelhante. Também deputado estadual em exercício, chega à campanha apoiado por uma base eleitoral consolidada em Cuiabá e na Baixada Cuiabana, região que reúne um dos maiores contingentes de eleitores do Estado. Dentro do PSDB, é tratado como um dos candidatos mais competitivos para permanecer na Assembleia.
A presença de dois deputados estaduais buscando a reeleição muda completamente o ambiente da disputa. Em eleições proporcionais, mandato, estrutura política, visibilidade e base eleitoral costumam fazer diferença. Avallone e Juca largam vários passos à frente da maioria dos pré-candidatos da chapa.
Fernando Schroeter aparece em seguida como um dos nomes de maior peso fora do grupo dos parlamentares. Empresário conhecido em Campo Verde, construiu sua trajetória política ao longo de seis mandatos como vereador e possui uma base regional significativa em uma das cidades economicamente mais fortes do interior mato-grossense.
Nelson Paim entra nesse cenário precisando buscar votos muito além de suas bases tradicionais. A tarefa não é simples. Enquanto alguns concorrentes chegam à disputa com presença consolidada em regiões inteiras do Estado, o ex-prefeito ainda trabalha para ampliar sua influência eleitoral para além dos municípios onde já é conhecido.
As projeções feitas por lideranças tucanas apontam para a eleição de dois deputados estaduais e uma disputa por uma terceira vaga. O cenário coloca Avallone e Juca do Guaraná como favoritos naturais dentro da chapa. O restante dos candidatos trava uma corrida paralela para tentar ocupar os espaços que sobrarem.
Os bastidores da política estadual mostram uma avaliação relativamente uniforme. Nelson Paim não aparece hoje entre os nomes mais fortes do PSDB. A leitura não tem relação com sua trajetória como prefeito ou com sua capacidade política. Ela nasce da comparação entre tamanho de base eleitoral, presença regional, estrutura de campanha e força dos concorrentes que ocupam a mesma chapa.
A política produz surpresas e campanhas são capazes de alterar cenários considerados improváveis. O histórico eleitoral, porém, costuma premiar candidatos que chegam à largada com estrutura consolidada e redes políticas construídas ao longo de muitos anos.
Nelson Paim terá de construir esse caminho durante a própria campanha. O desafio é grande. A disputa também. E a matemática eleitoral, até aqui, continua favorecendo outros nomes dentro do PSDB.






