• 26 de maio de 2026
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MEIO AMBIENTE

Governo prevê R$ 134 milhões para combater desmatamento ilegal e incêndios em MT

Plano anunciado pelo Estado mira o período mais crítico da estiagem, com reforço de bombeiros, brigadistas, aeronaves, satélites e ações integradas de fiscalização
Foto: Secom-MT

O Governo de Mato Grosso anunciou, nesta segunda-feira (25), um plano de ação para combater o desmatamento ilegal e os incêndios florestais no segundo semestre de 2026, período considerado o mais crítico da estiagem no Estado. A estratégia prevê investimento de R$ 134 milhões em ações de prevenção, fiscalização, repressão a crimes ambientais, monitoramento por satélite e combate direto ao fogo, com atuação integrada entre órgãos ambientais, forças de segurança, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Ibama, Funai, Assembleia Legislativa e entidades parceiras. A preocupação do governo é reforçada pela previsão de seca severa, influenciada pelo El Niño, fenômeno que pode reduzir o volume de chuvas, elevar as temperaturas e aumentar o risco de incêndios florestais em Mato Grosso, principalmente entre setembro e outubro.

O governador Otaviano Pivetta afirmou que o Estado vem ampliando os investimentos para enfrentar o fogo, mas destacou que o cenário climático exigirá atenção redobrada. Segundo ele, não faltará esforço do Governo, porém a resposta dependerá também da união entre poder público, setor produtivo e população. A secretária de Estado de Meio Ambiente, Mauren Lazzareti, ressaltou que Mato Grosso foi reconhecido pelo MapBiomas pela redução de 82,6% no desmatamento bruto em 2024 e afirmou que o desempenho é resultado da atuação coordenada entre Sema, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Polícia Militar, Polícia Civil, Politec, Assembleia Legislativa, Ibama e Funai. Em 2025, o Estado também registrou queda histórica de 82% nos focos de calor em relação a 2024 e redução de 70% na comparação com a média dos últimos dez anos.

O plano prevê monitoramento contínuo dos biomas por imagens de satélite, emissão de alertas em tempo real, autuações virtuais e presenciais, fiscalização de propriedades, responsabilização de infratores, ações educativas contra o uso irregular do fogo e campanhas de proteção à fauna silvestre, incluindo resgates e construção de poços. Para o combate direto aos incêndios, a estrutura contará com 483 bombeiros militares por dia, contratação de 150 brigadistas estaduais, mobilização de 72 brigadistas municipais e apoio da Força Nacional de Segurança Pública. Também estão previstas 80 viaturas, 28 máquinas, duas aeronaves Air Tractor do Grupamento de Aviação Bombeiro Militar, quatro aeronaves da Defesa Civil Estadual e um helicóptero do Ciopaer.

Outra frente será a construção e manutenção de cerca de 1,5 mil quilômetros de aceiros em pontos estratégicos, em parceria com a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística, para reduzir o acúmulo de material combustível às margens de rodovias estaduais e dificultar a propagação do fogo. O Corpo de Bombeiros também fará ações de queima prescrita em áreas previamente definidas, como forma de diminuir a biomassa antes do auge da estiagem. Duas operações já foram realizadas na MT-351, conhecida como Estrada do Manso, e na Área de Proteção Ambiental da Chapada dos Guimarães, na região do Mirante do Centro Geodésico da América do Sul.

O comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Flávio Glêdson Bezerra, afirmou que 51% dos incêndios registrados entre agosto e outubro tiveram início em áreas federais, como terras indígenas e assentamentos. Segundo ele, mesmo com efetivo menor, Mato Grosso conseguiu resultado recorde na redução dos incêndios no último ano. A secretária de Estado de Segurança Pública, coronel PM Susane Tamanho, reforçou que as forças de segurança atuarão de forma integrada com os órgãos ambientais e defendeu tolerância zero contra crimes ambientais. O deputado estadual Carlos Avallone também destacou que o Estado chega mais organizado para enfrentar o período de seca.

A superintendente do Ibama em Mato Grosso, Cibele Ribeiro, apontou avanços na parceria entre Sema, Ibama e Incra por meio do projeto CAR Assentamentos, voltado à regularização ambiental em assentamentos federais. Segundo ela, a medida contribui para reduzir embargos e fortalecer a prevenção neste período de maior risco de incêndios florestais. O plano também inclui o uso de uma nova plataforma tecnológica para gestão de incêndios, além de projetos de capacitação e premiação voltados à redução de queimadas em terras indígenas e apoio às prefeituras na elaboração de planos operacionais municipais de combate a crimes ambientais.