Investigado pela PF, Elizeu Nascimento aparece em segundo em pesquisa e levanta debate inusitado em Mato Grosso
Levantamento divulgado dias após operação com apreensão de dinheiro vivo provoca reação nos bastidores e coloca em dúvida se a política brasileira virou mesmo terra sem lógica Foto: Reprodução
A nova pesquisa divulgada para deputado estadual em Mato Grosso conseguiu produzir uma situação que, até pouco tempo atrás, pareceria improvável até nos bastidores mais malucos da política brasileira. O deputado estadual Elizeu Nascimento (PL), investigado após operação que apreendeu cerca de R$ 200 mil em dinheiro vivo, apareceu em segundo lugar na pesquisa espontânea para a Assembleia Legislativa, com 3,1% das intenções de voto, atrás apenas de Eduardo Botelho, que registra 3,6%.
E aí nasceu a dúvida que tomou conta das rodas políticas do estado: a pesquisa errou ou o eleitor brasileiro finalmente decidiu que dinheiro vivo, operação policial e investigação são apenas “detalhes administrativos”? Porque, convenhamos, a lógica tradicional da política sempre funcionou de outro jeito. Normalmente bastava aparecer uma viatura na porta, um mandado de busca, meia dúzia de foto de dinheiro apreendido e pronto: o político entrava em modo sobrevivência, sumia das agendas, parava de atender telefone e começava a rezar para o assunto morrer rápido.
Mas em Mato Grosso o roteiro parece ter mudado. Veio operação, veio investigação, veio apreensão de dinheiro e, logo depois, veio pesquisa colocando o investigado entre os favoritos. Nos bastidores, teve gente brincando que, do jeito que as coisas andam, daqui a pouco assessor político vai começar a comemorar operação policial como estratégia de crescimento eleitoral.
Juridicamente, é importante registrar que Elizeu Nascimento não foi condenado. O parlamentar afirma que o dinheiro apreendido é legal, declarado e sem qualquer irregularidade. A investigação segue em andamento. O problema é que política nunca viveu apenas de decisão judicial. Política vive principalmente de imagem. E historicamente imagem de dinheiro vivo espalhado em mesa nunca foi exatamente um material recomendado para fortalecer projeto eleitoral.
Por isso o levantamento acabou virando assunto obrigatório em praticamente todos os ambientes políticos do estado. Afinal, durante décadas, qualquer escândalo envolvendo dinheiro em espécie costumava produzir o mesmo efeito: desgaste imediato, afastamento de aliados e um silêncio constrangedor de apoiadores. Agora, aparentemente, parte do eleitor olha a cena, reclama da política, faz piada da situação… e continua escolhendo o mesmo nome.
Outro dado que chamou atenção foi o tamanho da indefinição do eleitorado. Segundo a própria pesquisa, 56% dos entrevistados disseram não saber em quem votar ou preferiram não responder. Na prática, isso mostra que o cenário ainda está completamente aberto e sujeito a mudanças bruscas até a eleição.
Mesmo assim, o resultado envolvendo Elizeu Nascimento acabou produzindo um efeito quase cômico dentro da política mato-grossense: ninguém conseguiu entender se o levantamento revelou uma nova realidade eleitoral ou se simplesmente a lógica da política brasileira resolveu abandonar qualquer compromisso com o bom senso.






