Dilmar cobra definição urgente da federação União Progressista e expõe divisão interna sobre eleições
Deputado afirma que articulação depende de lideranças como Mauro Mendes e Nilson Leitão e admite cenário de indefinição incomum dentro do grupo Foto: Reprodução
A indefinição dentro da federação formada por União Brasil e PP já começa a incomodar até mesmo aliados históricos. Em fala recente à imprensa, o deputado estadual Dilmar Dal’Bosco (União Brasil) cobrou uma posição clara das principais lideranças do grupo sobre quem serão os nomes nas eleições proporcionais e, principalmente, qual será o caminho na disputa majoritária.
Sem rodeios, Dilmar deixou claro que o impasse não está na base, mas no topo. Segundo ele, o avanço das articulações depende diretamente do ex-governador Mauro Mendes (União Brasil), que preside o partido no estado, e de Nilson Leitão (PSDB), que comanda o PP na federação. “Agora depende deles”, resumiu, ao revelar que já buscou interlocução e tenta viabilizar uma reunião ainda nesta semana ou no início da próxima para organizar o cenário eleitoral.
Enquanto aguarda uma definição das lideranças, o deputado afirma que tem feito a sua parte: está em campo, conversando, convidando e tentando montar a chapa proporcional. O foco, segundo ele, é fechar o número de candidatos a deputado estadual, considerado hoje o principal gargalo da federação. “Estou correndo atrás, conversando com nomes que podem disputar”, disse, ao citar articulações com lideranças e possíveis candidatos de diferentes regiões, incluindo Rondonópolis.
O contraste com eleições anteriores é o que mais chama atenção. Dilmar reconhece que o momento atual foge completamente do padrão que ele próprio vivenciou ao longo da carreira política. “Nunca tivemos uma disputa igual essa dentro do partido”, afirmou. Segundo ele, nem mesmo em momentos mais complexos, como em 2018 ou 2022, houve tanta indefinição às vésperas das decisões mais importantes.
Na prática, o que se vê é uma federação ainda sem rumo claro, com diferentes correntes disputando espaço e tentando influenciar o desenho final da chapa. O próprio deputado admite que falta diálogo direto entre as principais lideranças para destravar o processo. Ele cita, além de Mauro Mendes, nomes como o senador Jayme Campos (União Brasil) e o vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) como peças centrais nessa construção.
Apesar do cenário embolado, Dilmar tenta transmitir alguma tranquilidade ao grupo. Afirma que há número suficiente de pré-candidatos e que a federação tem condições de montar uma chapa competitiva tanto para estadual quanto para federal. Ainda assim, reconhece que o tempo começa a apertar e que o alinhamento precisa acontecer com urgência para evitar prejuízos eleitorais.
O incômodo maior, nos bastidores, não é apenas a demora, mas a ausência de uma referência clara de liderança política que conduza o processo. Ao dizer que é “só deputado estadual”, Dilmar deixa implícito que a responsabilidade está acima dele — e que a base já começa a sentir falta de direção.
A fala do parlamentar escancara um problema que costuma ser decisivo em ano eleitoral: quando a cúpula demora a decidir, a base começa a se movimentar por conta própria. E, nesse tipo de cenário, o risco não é apenas perder tempo — é perder controle sobre o próprio grupo.






