• 4 de maio de 2026
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POLÍTICA

CUIABÁ — Otaviano Pivetta admite falha no SAMU, garante recontratação e evita antecipar debate eleitoral de 2026

Vice-governador afirma que contratos vencidos geraram ruído, diz que serviço segue funcionando e evita antecipar composição de chapa
Foto: Reprodução

O vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) classificou como falha de comunicação interna a crise envolvendo o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) em Cuiabá, que ganhou repercussão nos últimos dias. Em declaração à imprensa nesta segunda-feira, ele afirmou que o problema surgiu após o vencimento de contratos no fim de março, mas garantiu que a situação está resolvida, com recontratação dos profissionais e continuidade do atendimento sem prejuízos à população.

Pivetta reconheceu que o desgaste poderia ter sido evitado e disse que não tinha conhecimento prévio do encerramento dos contratos no dia 31. Segundo ele, o “tumulto” foi provocado por falhas na circulação de informações dentro da própria estrutura administrativa. Ao mesmo tempo, reforçou que o serviço segue garantido e que o Estado continuará responsável pela operação na capital.

Ao abordar o modelo adotado, o vice-governador destacou que a gestão estadual do SAMU em Cuiabá foge ao padrão nacional, já que, em regra, o serviço é conduzido pelos municípios dentro de um programa federal. Mesmo assim, não indicou mudanças no formato atual e tratou os questionamentos como superados.

A pressão de profissionais da saúde, especialmente em relação à presença de militares na coordenação do serviço, também foi mencionada. Pivetta defendeu a atuação do Corpo de Bombeiros, afirmando que a integração entre as equipes tem apresentado resultados. Como principal argumento, citou a redução no tempo médio de atendimento, que passou de 25 para 16 minutos.

Apesar da tentativa de encerrar o assunto, o episódio expôs fragilidades internas na comunicação do governo. A situação, embora classificada como técnica, ganhou dimensão política por envolver a área da saúde, considerada sensível na gestão pública.

A entrevista também avançou para o cenário político de 2026. Pivetta adotou cautela, negou reuniões recentes com lideranças nacionais e descartou discussões sobre composição de chapa. Segundo ele, decisões desse tipo devem ocorrer no momento adequado, quando o cenário estiver mais definido.

Ainda assim, sinalizou preferências ao afirmar que vê com bons olhos a escolha de uma mulher como possível vice e destacou a importância estratégica da Baixada Cuiabana. Apesar disso, evitou qualquer definição concreta e manteve a linha de não antecipar o debate eleitoral.

Questionado sobre possíveis alianças, inclusive com nomes do MDB, voltou a recuar e afirmou que não houve conversas práticas até o momento. Disse ainda que o tema já foi tensionado além do necessário e que o foco segue na gestão.

Outros assuntos de bastidores também foram abordados. Pivetta negou convites para cargos, afirmou manter diálogo frequente com lideranças políticas, mas sem formalizações, e destacou que o governo passa por ajustes internos, incluindo revisão de estrutura e cortes, o que impacta nomeações.

Na relação com a Assembleia Legislativa, reforçou que acordos anteriores serão mantidos. Sobre emendas parlamentares, afirmou que compromissos assumidos pelo Estado devem ser cumpridos, independentemente de mudanças administrativas, numa tentativa de preservar o alinhamento político com o Legislativo.

A declaração do vice-governador indica um governo que busca conter desgastes internos e evitar antecipação do debate eleitoral. O episódio do SAMU, no entanto, evidencia que falhas de comunicação podem rapidamente se transformar em fator de pressão política dentro da própria gestão.