• 4 de maio de 2026
#Destaque #Política #Redes #Várzea Grande

POLÍTICA

Presidente do PL em Mato Grosso eleva o tom, pressiona prefeita de Várzea Grande e expõe crise interna por falta de apoio a Wellington

Declaração em vídeo de Ananias Martins direcionada à prefeita Flávia Moretti escancara tensão dentro do partido e reforça isolamento político do grupo ligado a Wellington Fagundes
Foto: Reprodução

O presidente do Partido Liberal em Mato Grosso, Ananias Martins, subiu o tom publicamente ao se dirigir à prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti, em um vídeo que circulou nas redes sociais, em meio à crescente dificuldade do grupo liderado pelo senador Wellington Fagundes em consolidar apoios no estado. A fala, em tom de cobrança e com sinais claros de pressão política, acabou ampliando a exposição de uma crise interna que já vinha sendo comentada nos bastidores.

No vídeo, Ananias afirma que o partido já possui nomes definidos para as principais disputas eleitorais e cita diretamente Elton Fagundes como pré-candidato, deixando implícito que a prefeita deveria seguir a orientação partidária. “Se ela não estiver convencida, eu só lamento, mas ela vai ter que saber distinguir entre ser partido ou não ser partido”, diz, ao reforçar que qualquer escolha deveria ocorrer “dentro do Partido Liberal”.

A declaração, no entanto, foi interpretada por interlocutores políticos como uma tentativa de enquadramento que não encontra respaldo na realidade atual do cenário eleitoral. Isso porque, na prática, prefeitos têm autonomia para definir seus posicionamentos políticos e, inclusive, podem trocar de partido dentro das regras legais estabelecidas pela legislação eleitoral. A fala de Ananias, portanto, acabou sendo vista como uma demonstração de fragilidade do comando partidário diante da falta de adesão.

Nos bastidores, o desconforto é evidente. Prefeitos de peso dentro do próprio PL em Mato Grosso têm evitado assumir compromisso público com o projeto político de Wellington Fagundes, o que enfraquece a articulação estadual e compromete a construção de uma candidatura competitiva. A ausência de apoio consolidado em cidades estratégicas tem sido apontada como um dos principais entraves.

A postura de Flávia Moretti, por sua vez, sinaliza independência. Aliados próximos afirmam que a prefeita não pretende se submeter a pressões e que fará sua leitura política no momento que considerar mais adequado, avaliando cenários e alianças com base em viabilidade eleitoral e governabilidade. A reação dela, ao não recuar diante das declarações, reforça esse posicionamento.

O episódio também expõe um desgaste maior dentro do partido, que enfrenta dificuldades para manter unidade em torno de um projeto único. A tentativa de impor alinhamento por meio de declarações públicas acaba produzindo efeito contrário, aprofundando divisões e estimulando ainda mais a autonomia de lideranças regionais.

Enquanto isso, o cenário segue em aberto. A movimentação de prefeitos, deputados e lideranças locais indica que o jogo político em Mato Grosso está longe de uma definição, e episódios como esse apenas evidenciam que o controle partidário, na prática, não se sustenta apenas na força do discurso.