• 26 de abril de 2026
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BASTIDORES DA POLÍTICA

Podemos monta chapa forte, mas com teto limitado e disputa concentrada em três nomes em Mato Grosso

Com apenas uma vaga competitiva no cenário, Neri Geller, coronel Roveri e Nelson Barbudo surgem como favoritos em uma corrida que deve ser definida na faixa dos 60 mil votos
Foto: Montagem NMT

O Podemos entra no jogo eleitoral em Mato Grosso com uma chapa considerada competitiva, mas com um teto eleitoral limitado, o que na prática afunila a disputa interna e favorece diretamente três nomes que, hoje, concentram densidade política e potencial de voto suficientes para brigar pela única vaga viável do partido.

Nesse cenário, a lógica é simples e dura: quem atingir a casa dos 60 mil votos deve garantir a eleição. E, dentro da composição atual, essa corrida tende a ficar restrita a três figuras com histórico, estrutura e recall eleitoral — Neri Geller, coronel Roveri e Nelson Barbudo.

Neri Geller chega ao Podemos após uma movimentação de última hora, deixando o Republicanos para se reposicionar no tabuleiro. Ex-ministro da Agricultura e ex-deputado federal, carrega um perfil técnico e forte ligação com o agronegócio, além de já ter demonstrado capacidade eleitoral robusta. Na disputa ao Senado em 2022, mesmo com a candidatura impugnada e fora do jogo oficialmente, registrou expressivos 310.481 votos, consolidando-se como um dos nomes mais competitivos daquele pleito. Em eleições anteriores para deputado federal, também já apresentou desempenho consistente, sempre entre os mais votados do estado. Agora, entra na disputa com um fator político relevante a seu favor: o agronegócio, principal motor econômico de Mato Grosso, hoje não possui um representante com mandato que seja identificado de forma direta com o setor. Nesse vácuo, Neri surge como um nome natural, com trânsito, histórico e respaldo, o que amplia significativamente seu potencial dentro da chapa.

Do outro lado, o coronel Roveri entra na disputa com um perfil diferente, mas igualmente consistente. Ex-secretário de Segurança Pública por mais de três anos, construiu sua trajetória dentro da Polícia Militar, onde chegou ao comando-geral da corporação. Internamente, é reconhecido por parte da tropa como um dos comandantes mais estruturantes da história recente da PM, especialmente pelo fortalecimento da Polícia Ambiental durante sua gestão. Sua base política passa por regiões estratégicas como Sinop, onde foi criado e mantém raízes sólidas, sendo a cidade seu principal berço político e eleitoral. A leitura é direta: Sinop, um dos principais polos do estado, pode consolidar um nome forte da segurança pública na Câmara dos Deputados. Soma-se a isso sua atuação em regiões de fronteira, como Cáceres, e o respaldo institucional acumulado ao longo da carreira, o que o coloca como um dos nomes mais competitivos da chapa.

Fechando o trio, Nelson Barbudo reaparece no cenário após deixar o PL também na reta final das articulações. Ex-deputado federal, foi o mais votado de Mato Grosso em 2018, com 126.249 votos. Em 2022, no entanto, teve uma queda significativa de desempenho, registrando cerca de 32 mil votos — um resultado que, na prática, representou um derretimento eleitoral e o tirou da reeleição. Ainda assim, permaneceu como suplente e chegou a assumir mandato na Câmara dos Deputados após o falecimento da deputada Amália Barros, o que o manteve em evidência política. Mesmo com esse movimento, entra na disputa atual em condição mais delicada, tendo que reconstruir base e recuperar força eleitoral em um cenário mais competitivo e enxuto.

O desenho da chapa do Podemos, portanto, não comporta dispersão. Com teto baixo e pouca margem para múltiplas candidaturas competitivas, a disputa interna tende a ser direta, quase um confronto de três forças dentro do mesmo partido — com dois nomes em ascensão e um tentando retomar espaço.

No fim, a matemática eleitoral deve falar mais alto que qualquer articulação: uma vaga, três nomes fortes e um corte estimado na casa dos 60 mil votos. Quem conseguir transformar estrutura em voto real leva. Quem não alcançar esse patamar, independentemente do histórico, deve ficar pelo caminho.

Podemos monta chapa forte, mas com teto limitado e disputa concentrada em três nomes em Mato Grosso

Prefeito de São José do Rio Claro