• 11 de fevereiro de 2026
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JUSTIÇA NO CAMPO

Deputado Nininho apresenta projeto que impede embargo de pequenas propriedades rurais em MT

Projeto apresentado na Assembleia Legislativa de Mato Grosso prevê prazo de 24 meses para adequação ambiental de propriedades de subsistência
Foto: Assessoria

O fim do impasse entre a fiscalização ambiental e a sobrevivência da agricultura familiar em Mato Grosso ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (11/2) na Assembleia Legislativa. Com o objetivo de interromper o que classifica como “excessos” da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), o deputado Ondanir Bortolini – Nininho (Republicanos) protocolou um Projeto de Lei Complementar (PLC) que proíbe o embargo imediato de pequenas propriedades. A proposta impede que multas e interdições travem a produção de alimentos e o sustento de famílias.

O texto altera a Lei Complementar nº 38, de 1995, para impedir a aplicação de sanções como a suspensão de atividades e a interdição temporária contra pequenos agricultores de subsistência. Segundo o projeto, as propriedades com até quatro módulos fiscais que se enquadrem nos critérios da Lei Federal 11.326/2006 terão um prazo mínimo de 24 meses para realizar intervenções de mitigação de danos ambientais após a validação do seu cadastro ambiental.

 

UBSISTÊNCIA

Para Nininho, a atuação atual do órgão fiscalizador tem inviabilizado a sobrevivência de famílias que dependem da terra para o consumo próprio e venda de excedentes. “Estamos apresentando esse PLC para que a Sema pare de embargar as propriedades dos pequenos produtores”, ressalta o parlamentar. Segundo ele, a legislação federal já oferece um norte protetivo que não estaria sendo plenamente respeitado na esfera estadual.

O deputado critica o rigor das sanções administrativas em áreas de pequena escala. “A Sema exagera nessas questões, aonde embarga e multa, inviabiliza todas as pequenas produtores. E esse projeto de lei vem com esse intuito de poder ajudar esses pequenos produtores a poder continuar trabalhando, produzindo alimento e tirando o sustento”, justifica.

 

JUSTIÇA SOCIAL

A justificativa da matéria argumenta que a agricultura familiar não é a principal responsável pelos desequilíbrios ecológicos do Estado. O parlamentar ressalta que a falta de recursos financeiros impede que esses trabalhadores realizem adequações ambientais instantâneas sem comprometer a segurança alimentar.

A proposta cita o alinhamento com a Agenda 2030 da ONU, especificamente os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável relacionados à erradicação da pobreza e à produção sustentável. O foco, segundo o autor, é garantir que a preservação do bioma não ocorra à custa da exclusão social do homem do campo.

“Acho que tem muitas maneiras de preservar, cuidar o meio ambiente, sem prejudicar esses pequenos produtores que moram lá na roça, moram em suas propriedades e com muita dificuldade, muitas vezes, para tirar o sustento de suas famílias”, comenta Nininho.

 

TRAMITAÇÃO

O PLC agora segue para análise das comissões temáticas da ALMT, incluindo a Comissão de Meio Ambiente e a Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR), Recursos Hídricos e Recursos Minerais. Se aprovado e sancionado pelo governador, o Poder Executivo terá um prazo de 90 dias para regulamentar as novas diretrizes.

Nininho defende que a medida corrige uma distorção histórica no tratamento dado ao setor. “Essas pequenas propriedades realmente têm que receber um olhar diferenciado dessa casa de lei, dos governos estadual e federal”, pondera o deputado.

 

Redação: Sérgio Ober

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