• 7 de março de 2026
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AGRICULTURA FAMILIAR

Projeto de embriões da Seaf transforma produção leiteira de pequenos produtores em Mato Grosso

Iniciativa já implantou quase 4 mil prenhezes e eleva renda mensal por animal em até R$ 735,00
Foto: Reprodução

Com o uso de biotecnologia de ponta, a Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf) está revolucionando a pecuária leiteira familiar em Mato Grosso por meio do Projeto de Melhoramento Genético do Rebanho Leiteiro. A iniciativa utiliza transferência de embriões sexados da raça Girolando ½ sangue para aumentar a produtividade e a renda de pequenos produtores em todas as regiões do Estado.

Desde o início do projeto, em 2020, mais de R$ 6,7 milhões foram investidos, beneficiando 1.043 produtores em 32 municípios. Até o momento, já foram confirmadas 3.894 prenhezes, e o programa segue em execução com metas ainda maiores para os próximos anos.

Os embriões são resultantes do cruzamento entre vacas da raça Gir Leiteiro, com alta capacidade de produção (acima de 5 mil litros por lactação), e sêmen sexado de touros da raça Holandesa, importado com certificação internacional. Essa tecnologia, antes inacessível para o pequeno produtor, está permitindo um salto de produtividade em diversas propriedades.

Segundo a secretária de Agricultura Familiar, Andreia Fujioka, o maior desafio da cadeia leiteira em Mato Grosso é a baixa qualidade genética dos rebanhos. “Este projeto oferece uma resposta concreta, com tecnologia de ponta, para que o pequeno produtor possa competir, aumentar sua renda e permanecer no campo com dignidade. Estamos falando de inclusão produtiva com base em ciência e resultado”, afirmou.

Impacto direto na renda

Estudos técnicos da Seaf apontam que os animais oriundos do projeto podem produzir de 15 a 35 litros de leite por dia, enquanto a média atual em Mato Grosso é de apenas 4,34 litros. Isso pode significar um aumento de até R$ 735,60 por mês na renda de cada produtor, triplicando a receita de muitos deles.

O produtor Ademirson Machado, do assentamento Dom Osório, em Campo Verde, já colhe os frutos da iniciativa. “Recebi os embriões em 2023. Já nasceram dez novilhas com alta genética. Estamos na expectativa com as prenhezes que chegaram aos oito meses. Cada vaca pode chegar a produzir até 35 litros por dia. Isso muda tudo”, relatou.

Ele ainda destacou que, sem o apoio do projeto, não teria acesso a essa tecnologia. “Um embrião desses custa de R$ 3 mil a R$ 4 mil. Seria inviável sozinho. Agora, com essa genética, espero dobrar a produção”, completou.

Assistência técnica estruturada

A execução do projeto conta com apoio técnico da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer) e das secretarias municipais de Agricultura. As equipes acompanham todas as fases: seleção de propriedades, implantação dos embriões, gestações e nascimentos. Já a Seaf monitora o andamento geral e a coleta de dados nos municípios.

O presidente da Empaer, Suelme Fernandes, avalia o projeto como uma das ações mais estratégicas já desenvolvidas na extensão rural. “Estamos democratizando o acesso à genética de excelência e garantindo que os resultados cheguem até a porteira do pequeno produtor”, disse.

Em Campo Verde, o secretário municipal de Agricultura, Juraci Vasto, e o engenheiro agrônomo Marcelo Furtado também acompanham de perto os avanços. “Começamos com 66 prenhezes. Hoje temos novilhas com 26 meses já prenhas novamente. Isso mostra a vocação do produtor e a importância de programas estruturados”, afirmou Furtado.

Kênio Batista Nogueira, técnico da Empaer, destaca que a ação tem fortalecido a permanência das famílias no campo. “Temos quase 80 animais em Campo Verde frutos do projeto. É uma transformação real: genética, sanidade, renda e dignidade para o produtor rural.”

Expansão e referência nacional

A proposta da Seaf é ofertar 2.000 prenhezes em quatro lotes, cobrindo todas as macrorregiões de Mato Grosso. Com parcerias de prefeituras, cooperativas e associações, o projeto já é considerado referência nacional no uso de biotecnologias reprodutivas aplicadas à agricultura familiar.

Além de impulsionar a produtividade, o programa fortalece a segurança alimentar, a sustentabilidade rural e a inclusão produtiva no campo.

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