Mariana Carvalho e Rafael Abreu devem pedir CPI para investigar reforma de R$ 10 milhões da Câmara de Primavera do Leste
Segundo apuração do NMT, vereadores estão indignados com os valores da obra e querem ampliar investigação para gastos com diárias e verbas indenizatórias Foto: Montagem NMT
Os vereadores Mariana Carvalho e Rafael Abreu devem pedir, nesta segunda-feira (09/11/2026), a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os gastos da Câmara Municipal de Primavera do Leste. A informação foi apurada pelo Notícias de Mato Grosso (NMT) junto a fontes ligadas ao Legislativo. A movimentação ocorre após os parlamentares terem acesso aos documentos e denúncias recebidos pela reportagem sobre a reforma da sede da Câmara, cujo contrato já alcançou aproximadamente R$ 9,58 milhões, além de uma série de questionamentos sobre a utilização do dinheiro público.
Segundo apurou o NMT, Mariana Carvalho estaria se sentindo traída diante das revelações envolvendo a reforma e considera exorbitante o volume de recursos destinados à obra. Rafael Abreu também estaria disposto a defender a abertura de uma investigação formal. O entendimento atribuído aos dois parlamentares é que, diante da crise econômica e das dificuldades enfrentadas pela população brasileira, não é aceitável que uma Câmara Municipal comprometa uma quantia tão elevada com a reforma de sua própria sede sem apresentar esclarecimentos convincentes sobre cada centavo gasto.
A articulação ganhou força depois que o jornalista Chico Oliveira disponibilizou aos vereadores os links contendo documentos e denúncias encaminhados ao Notícias de Mato Grosso. O material reúne questionamentos que já foram apresentados em três vídeos publicados pelo jornalista, nos quais são expostos detalhes dos aditivos contratuais, das medições de serviços e de uma suspeita de sobrepreço envolvendo a reforma.
No primeiro vídeo, o NMT revelou que os dois aditivos da reforma somaram R$ 1.916.822,21, ficando apenas sete centavos abaixo do limite de 25% calculado sobre o contrato original de R$ 7.667.289,13. A reportagem também identificou que, entre os 175 itens analisados no primeiro aditivo, 119 apresentavam acréscimos exatamente de 25% nas quantidades previstas. Os números levantaram questionamentos sobre os critérios técnicos utilizados para justificar os aumentos, especialmente em serviços envolvendo demolições, instalações elétricas, cabos e eletrodutos.
O segundo vídeo trouxe outro ponto que chamou a atenção da reportagem. O primeiro aditivo contratual, no valor de R$ 1.455.793,31, foi assinado em 6 de maio de 2026. Apenas dois dias depois, em 8 de maio, aparece uma medição identificada como referente ao primeiro aditivo, no valor de R$ 1.455.462,84. A diferença entre o valor aditado e o medido é de apenas R$ 330,47. O NMT questionou como serviços de uma reforma milionária poderiam apresentar uma medição praticamente equivalente ao valor integral do aditivo apenas 48 horas depois de sua formalização, cobrando a apresentação dos documentos que comprovem quando os trabalhos foram efetivamente executados.
No terceiro vídeo, a reportagem apresentou uma denúncia de possível sobrepreço de aproximadamente R$ 498 mil. O questionamento envolve a adesão da Câmara a uma ata de registro de preços vinculada a um consórcio de municípios do interior de São Paulo, utilizada para contratar uma empresa sediada em Manaus, no Amazonas. A suspeita é de que determinados materiais e serviços tenham sido contratados com valores superiores aos registrados posteriormente na própria ata utilizada como referência. A diferença apontada ainda depende de verificação técnica para determinar se houve efetivamente prejuízo aos cofres públicos.
As três revelações colocaram sob questionamento a administração da reforma conduzida durante a presidência de Marco Aurélio Salles Ferreira de Moraes. O contrato inicial de R$ 7,67 milhões recebeu dois aditivos que elevaram o valor contratado para aproximadamente R$ 9,58 milhões. O Notícias de Mato Grosso encaminhou sucessivos pedidos de esclarecimentos sobre os critérios dos aditivos, as memórias de cálculo, as medições e a documentação técnica que fundamentou os acréscimos.
A possível CPI, entretanto, não deverá se limitar à reforma. Segundo as informações apuradas pelo NMT, Mariana Carvalho e Rafael Abreu também pretendem incluir na investigação as despesas com diárias de vereadores e servidores, além dos pagamentos de verbas indenizatórias. Somente com diárias, a Câmara já havia desembolsado quase R$ 1,7 milhão até setembro, enquanto a dotação orçamentária destinada a essa finalidade passou de R$ 703 mil para mais de R$ 2,1 milhões ao longo do ano.
A intenção atribuída aos parlamentares é examinar os critérios utilizados para autorizar viagens, os valores pagos, as respectivas prestações de contas e a utilização das verbas indenizatórias. Os gastos vêm sendo alvo de questionamentos do NMT, que também iniciou uma série de levantamentos sobre os valores recebidos por vereadores e assessores.
A movimentação ocorre em um momento de divisão nos bastidores da Câmara, às vésperas da escolha da próxima Mesa Diretora. Segundo fontes ouvidas pela reportagem, parte dos vereadores entende que os documentos apresentados exigem uma investigação aprofundada, enquanto outros demonstram resistência à abertura de uma comissão parlamentar. A maioria dos integrantes do Legislativo ainda não apresentou posicionamento público sobre o assunto.
A expectativa é que a sessão ordinária desta segunda-feira seja marcada pela discussão sobre a possibilidade de instalação da CPI. Caso o pedido seja formalizado, caberá aos vereadores decidir sobre os procedimentos necessários para a investigação, conforme as exigências regimentais da Câmara.
As informações sobre a iniciativa de Mariana Carvalho e Rafael Abreu foram obtidas pelo Notícias de Mato Grosso nos bastidores do Legislativo. Até o fechamento desta reportagem, a apresentação formal do requerimento ainda não havia sido confirmada.





