Wellington e Janaína decretaram suas derrotas quando se juntaram
A eleição mostrou que, na política, nem sempre dois grupos juntos representam a soma de suas forças. Às vezes, a união de dois projetos pode afastar justamente aqueles que sustentavam cada um deles Foto: Divulgação
Opinião: Esta é uma análise pessoal do autor sobre os resultados das eleições e os movimentos políticos que antecederam a disputa.
Wellington Fagundes perdeu a eleição para o Governo de Mato Grosso com uma margem gigantesca. O candidato ficou com 23,19% dos votos, enquanto Otaviano Pivetta ultrapassou a marca de 1 milhão de votos e chegou a 60,77%. Nem mesmo a presença da candidata Doutora Natasha, representante da esquerda, foi suficiente para levar a disputa para um segundo turno.
Mas, voltando no tempo, o começo de agosto pode ter sido o ponto de virada, ou, para muitos analistas, o início da derrocada política de Wellington.
Foi naquele período que Wellington articulou a entrada do MDB em sua composição, levando para a chapa Janaína Riva, sua nora e candidata ao Senado. A estratégia, aparentemente, tinha uma lógica simples: somar forças políticas e ampliar a quantidade de votos. Na prática, porém, o efeito parece ter sido exatamente o contrário.
Com a chegada do MDB, Wellington perdeu o apoio de importantes prefeitos ligados à direita. Um dos principais exemplos foi o prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira, que declarou publicamente apoio a Otaviano Pivetta. Em Cuiabá, o prefeito Abílio preferiu manter uma posição de neutralidade.
Além disso, o eleitor mais ortodoxo da direita passou a rejeitar a composição com o MDB. O próprio candidato ao Senado José Medeiros se afastou politicamente da figura de Wellington e passou a participar de atos ao lado de Pivetta, deixando claro que também não caminharia com o MDB naquela eleição.
A aposta de que a união entre MDB e PL produziria uma grande soma de votos acabou tendo um efeito inverso.
Wellington não apenas perdeu para Pivetta como também viu parte significativa de sua base migrar para o adversário. Janaína Riva, que em outras eleições chegou a figurar entre os nomes mais votados para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso, também sofreu uma derrota expressiva na disputa pelo Senado. E o resultado atingiu até mesmo sua família. Jéssica Riva, irmã de Janaína, não conseguiu se eleger deputada estadual.
Wellington acabou, como se diz na gíria do futebol, amassado. E Janaína Riva, que durante anos foi considerada uma das mulheres mais influentes da política mato-grossense, ficará sem mandato a partir do próximo ano.
No fim das contas, a estratégia que pretendia somar forças acabou dividindo uma parte importante do eleitorado.
A eleição mostrou que, na política, nem sempre dois grupos juntos representam a soma de suas forças. Às vezes, a união de dois projetos pode afastar justamente aqueles que sustentavam cada um deles.
Família é família. Política é política. E, nesta eleição, a conta chegou para os dois.





