Nem com mandato: Rodrigo da Zaeli cresce, mas continua ruim de voto
Deputado chegou a Brasília pela suplência, teve quase dois anos de mandato e aumentou a votação, mas pela terceira eleição consecutiva não consegue conquistar diretamente o cargo que disputa Foto: Reprodução
Nem mesmo o mandato de deputado federal foi suficiente para Rodrigo da Zaeli (PL) conseguir se eleger. Com 35.845 votos nas eleições deste domingo, o parlamentar aumentou significativamente sua votação em relação a 2022, mas terminou novamente na suplência. Desta vez, ficou como primeiro suplente do PL e continuará dependendo da saída de um titular para permanecer na Câmara dos Deputados.
Os números mostram uma dificuldade eleitoral que acompanha Zaeli nas últimas disputas. Em 2022, quando concorreu pela primeira vez a deputado federal, recebeu apenas 6.965 votos e terminou como segundo suplente. Dois anos depois, em 2024, tentou retornar à Câmara Municipal de Rondonópolis, cidade onde construiu sua carreira política e onde já havia exercido mandato de vereador, mas recebeu somente 1.010 votos e novamente ficou na suplência. Agora, em 2026, mesmo exercendo mandato de deputado federal, voltou às urnas e mais uma vez não conseguiu se eleger.
A trajetória até Brasília também ajuda a entender o resultado. Zaeli não conquistou uma cadeira de deputado federal pelo voto em 2022. Ficou como segundo suplente e só avançou na fila depois da morte da deputada Amália Barros, quando Nelson Barbudo assumiu definitivamente o mandato e Zaeli passou a primeiro suplente. Posteriormente, com a eleição de Abilio Brunini para prefeito de Cuiabá e sua saída da Câmara dos Deputados, Zaeli herdou a vaga e assumiu o mandato em janeiro de 2025.
A partir daí, Rodrigo da Zaeli teve praticamente dois anos para fazer aquilo que não havia conseguido nas urnas: construir uma votação capaz de garantir sua permanência em Brasília. Passou a contar com gabinete, equipe, estrutura parlamentar, tribuna da Câmara dos Deputados e uma exposição política incomparavelmente maior do que tinha quando recebeu 6.965 votos quatro anos atrás. A votação realmente cresceu e chegou a 35.845 votos, mais de cinco vezes o resultado de 2022. Ainda assim, não foi suficiente para garantir uma cadeira.
O resultado chama ainda mais atenção pelo perfil político adotado por Zaeli durante o mandato. O deputado investiu pesado no discurso ideológico, nas críticas ao presidente Lula e ao PT e na identificação com Jair Bolsonaro. Em seus próprios pronunciamentos na Câmara, colocou o enfrentamento ao governo federal entre os principais pontos de sua atuação. Em uma eleição marcada pela força de candidaturas identificadas com a direita e pelo bom desempenho do próprio PL em Mato Grosso, porém, esse discurso não conseguiu levar Zaeli a uma cadeira pelo voto direto.
O problema não aparece apenas na disputa estadual. Em Rondonópolis, onde deveria estar sua principal base eleitoral, o resultado de 2024 já havia ligado o sinal de alerta. Zaeli havia sido eleito vereador em 2012 com 1.623 votos e reeleito em 2016 com 1.635. Quando tentou retornar ao Legislativo municipal em 2024, recebeu apenas 1.010 votos e ficou de fora. Para um político conhecido na cidade, ex-presidente da Câmara e que anos depois chegaria ao Congresso Nacional, foi uma votação bastante tímida.
A sequência das três últimas eleições é ainda mais reveladora. Em 2022, segundo suplente para deputado federal. Em 2024, suplente para vereador. Em 2026, primeiro suplente para deputado federal. Zaeli melhorou de posição e aumentou muito sua votação, mas continua sem conseguir aquilo que qualquer candidato busca quando coloca o nome na urna: ser eleito.
Os 35.845 votos mostram que o mandato deu resultado eleitoral e ampliou sua base. Isso é inegável. Mas mostram também que existe um limite para a estratégia política adotada até agora. Passar boa parte do mandato atacando Lula, criticando o PT e reforçando o discurso bolsonarista pode gerar engajamento nas redes sociais e identificação com uma parcela do eleitorado, mas não resolveu o principal problema político de Rodrigo da Zaeli: conseguir votos suficientes para conquistar uma cadeira.
Agora ele termina 2026 em situação melhor do que terminou 2022. Antes era segundo suplente e agora será o primeiro. Se algum deputado eleito pelo partido deixar o mandato ou assumir outro cargo, Zaeli poderá novamente chegar à Câmara dos Deputados.
Mas, se isso acontecer, será mais uma vez pela suplência. Nas urnas, mesmo depois de quase dois anos exercendo mandato de deputado federal, Rodrigo da Zaeli ainda não conseguiu se eleger.





