• 23 de setembro de 2026
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POLÍCIA

Polícia Civil cumpre mandados contra facção que usava cestas básicas para lavar dinheiro em Rondonópolis, Cuiabá e Várzea Grande

Ação investiga núcleo criminoso que utilizava empresas de alimentos e distribuição de cestas básicas para movimentar recursos de origem ilícita
Foto: Polícia Civil

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quarta-feira (23), a Operação Janus, que investiga um núcleo de uma facção criminosa suspeito de utilizar empresas do ramo alimentício e a distribuição de cestas básicas para movimentar e ocultar dinheiro de origem ilícita. Em Rondonópolis, equipes da Polícia Civil participam do cumprimento das ordens judiciais.

Ao todo, são cumpridas 14 ordens judiciais, sendo 11 mandados de busca e apreensão, além de medidas de sequestro de bens móveis e imóveis relacionados à investigação. Os alvos são investigados pelos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa.

As medidas são cumpridas em Rondonópolis, Cuiabá e Várzea Grande, em Mato Grosso, além de Goiânia (GO). A ação conta com apoio da Delegacia Regional de Rondonópolis, da Delegacia Especializada de Crimes Fazendários (Defaz) e da Polícia Civil de Goiás.

Investigação identificou empresas usadas pelo grupo

Segundo a Polícia Civil, a investigação começou a partir da análise de materiais apreendidos em ações anteriores da Gerência de Combate ao Crime Organizado e da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco).

Durante a apuração, os investigadores identificaram integrantes de uma facção criminosa que, inclusive, mesmo custodiados, continuariam participando da articulação de atividades ilícitas.

A investigação aponta que empresas formalmente constituídas para comercializar alimentos e cestas básicas eram utilizadas pelo grupo para movimentar recursos e tentar dar aparência de legalidade ao dinheiro obtido por meio de crimes.

Cestas básicas eram distribuídas a integrantes e simpatizantes

De acordo com os elementos reunidos na investigação, a distribuição de cestas básicas também era utilizada como uma forma de assistencialismo direcionada a integrantes e simpatizantes da facção.

Os recursos usados para a compra dos alimentos teriam origem, direta ou indiretamente, em atividades criminosas, principalmente tráfico de drogas e golpes virtuais.

Depois, os valores seriam inseridos em operações comerciais simuladas com o objetivo de ocultar ou dissimular sua origem.

A Polícia Civil identificou diferentes funções dentro do esquema. Enquanto alguns investigados seriam responsáveis pela obtenção e movimentação dos recursos, outros atuariam na compra dos alimentos e na logística de distribuição das cestas.

Um dos investigados é apontado como responsável pela logística e pela utilização do assistencialismo como estratégia para tentar ampliar a influência territorial do grupo criminoso.

Empresa movimentou R$ 13,2 milhões

A investigação patrimonial também identificou empresas que teriam sido utilizadas para dar suporte à distribuição dos alimentos.

Segundo a Polícia Civil, uma empresa localizada em Várzea Grande movimentou R$ 13,2 milhões ao longo de quatro anos, apesar de não apresentar estrutura física considerada compatível com a atividade empresarial declarada.

Os investigadores também encontraram movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a capacidade econômica declarada de alguns dos alvos.

Em um dos casos analisados, uma investigada teria movimentado mais de R$ 36 milhões em suas contas. Outro alvo apresentou movimentações superiores a R$ 4,7 milhões.

Operação busca atingir patrimônio da facção

Além das buscas, a Operação Janus tem como objetivo identificar e bloquear patrimônio que possa estar relacionado às atividades criminosas investigadas.

Entre as medidas determinadas pela Justiça estão o sequestro de um veículo e de um imóvel localizado em Goiânia.

De acordo com a Polícia Civil, a intenção é interromper o fluxo financeiro utilizado para manter as atividades ilícitas e a estrutura de assistencialismo atribuída ao grupo criminoso.

As investigações continuam para reunir novos elementos e esclarecer a participação de cada um dos envolvidos.

Por que a operação recebeu o nome Janus?

O nome da operação faz referência a Jano, deus da mitologia romana tradicionalmente representado com duas faces.

Segundo a Polícia Civil, a escolha remete à dupla finalidade identificada na atuação do núcleo investigado: de um lado, a aparência de assistencialismo proporcionada pela distribuição das cestas básicas; de outro, a utilização dessa estrutura para movimentar recursos de origem ilícita e tentar fortalecer a presença territorial da facção.

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